Ozanet

Ano A - Sexto Domingo do Tempo Comum

Escrito em 15/02/2026
Ozanet

Ano A - Sexto Domingo do Tempo Comum

Leituras: Sir 15, 16-21 (15-20); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5,17-37

 

“Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam.  Mas a nós Deus o revelou por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus.”

 

Leitura do Livro de Ben-Sirá

Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser-lhe fiel depende da tua vontade.

Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares.

Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado.

Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as coisas.

Seus olhos estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas do homem.

Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos: nós falamos de sabedoria entre os perfeitos, mas de uma sabedoria que não é deste mundo,

nem dos príncipes deste mundo, que vão ser destruídos.

Falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória.

Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória.

Mas, como está escrito, “nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem

o que Deus preparou para aqueles que O amam”.

Mas a nós Deus o revelou por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo penetra todas as coisas,

até o que há de mais profundo em Deus.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar.

Em verdade vos digo: antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal,

sem que tudo se cumpra.

Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens,

será o menor no reino dos Céus.

Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus.

Porque Eu vos digo: se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus.

Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘não matarás; quem matar será submetido a julgamento’.

Eu, porém, digo-vos: todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento.

Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à geena de fogo.

Portanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti,

deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta.

Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz,

o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão.

Em verdade te digo: não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo.

Ouvistes que foi dito: ‘não cometerás adultério’.

Eu, porém, digo-vos: todo aquele que olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração.

Se o teu olho é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um dos teus membros

do que todo o corpo ser lançado na geena.

E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti,

porque é melhor que se perca um dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na geena.

Também foi dito: ‘quem repudiar sua mulher dê-lhe certidão de repúdio’.

Eu, porém, digo-vos: todo aquele que repudiar sua mulher, salvo em caso de união ilegal, fá-la cometer adultério.

Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás os teus juramentos para com o Senhor’.

Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus;

nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei.

Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo.

A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’.

O que passa disto vem do Maligno”.

 

Reflexão vicentina

As leituras deste domingo nos confirmam que Deus tem um projeto de salvação para cada um de nós.  Paulo nos diz na Epístola aos Coríntios que é o Espírito Santo quem nos mostra o plano de Deus para nós.  “Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam.  Mas a nós Deus o revelou por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus.”

 

Mas o Livro de Ben-Sirá nos indica claramente que depende de nós compreender o plano de Deus para nós, aceitá-Lo e segui-Lo.   “Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares.  Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado.”

 

Finalmente, o Evangelho de Mateus deixa claro que Deus não nos mede pelos nossos resultados, mas pelas nossas intenções.  “Se o teu olho é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um dos teus membros do que todo o corpo ser lançado na geena.  E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor que se perca um dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na geena.”  É muito confortante saber que Deus sempre nos julga pelo nosso compromisso com o Seu plano de salvação para nós e não pelos nossos resultados em realizá-lo.  De qualquer forma, a reconciliação, a justiça e a misericórdia devem estar sempre presentes em nossas intenções.

 

Como vicentinos, sabemos que existem duas estratégias para conhecer o Plano de Deus para cada um de nós: a oração profunda e o compartilhamento das decisões com os demais confrades e consocias de nossa Conferência ou de nosso Conselho.  Também conhecemos a virtude vicentina do zelo.  Para Vicente de Paulo, o zelo é o “amor em fogo”, o que significa a paixão de trabalhar incansavelmente para cumprir a nossa missão e para encorajar outros a fazer o mesmo.  Posto de outra maneira, o zelo é a vontade incansável de realizar o plano de Deus para nós.

 

Cada visita que fazemos, cada vez que abrimos mão de nosso próprio egoísmo para servir o assistido sem limite de tempo e de atenção, estamos demonstrando nosso compromisso de realizar o Plano de Deus em nós.  A Nova Aliança se apresenta na relação que cada um de nós tem com o assistido, porque é com o Cristo que nos relacionamos.  Não se trata somente de uma visita ou do acompanhamento do progresso de uma família: trata-se de nossa vontade livre e comprometida, de responder à Aliança de Deus conosco, através da Aliança de Deus com o Pobre que Ele nos apresenta.