Ozanet

Ano A - Segundo Domingo da Quaresma

Escrito em 25/02/2029
Ozanet

Ano A - Segundo Domingo da Quaresma

Leituras: Gen 12,1-4; 2 Tim 1,8b-10; Mt 17,1-9

 

Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado.  Escutai-o!”. 

 

Leitura do Livro do Gênesis

Naqueles dias,

o Senhor disse a Abrão:

“Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai

e vai para a terra que Eu te indicar.

Farei de ti uma grande nação e te abençoarei;

engrandecerei o teu nome e serás uma bênção.

Abençoarei a quem te abençoar,

amaldiçoarei a quem te amaldiçoar;

por ti serão abençoadas todas as nações da terra”.

Abrão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.

 

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo

Caríssimo:

Sofre comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus.

Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade,

não em virtude das nossas obras,

mas do seu próprio desígnio e da sua graça.

Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus,

desde toda a eternidade

manifestou-se agora pelo aparecimento

de Cristo Jesus, nosso Salvador,

que destruiu a morte

e fez brilhar a vida e a imortalidade,

por meio do Evangelho.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,

Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão

e levou os, em particular, a um alto monte

e transfigurou-Se diante deles:

o seu rosto ficou resplandecente como o sol

e as suas vestes tornaram se brancas como a luz.

E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele.

Pedro disse a Jesus:

“Senhor, como é bom estarmos aqui!

Se quiseres, farei aqui três tendas:

uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias”.

Ainda ele falava,

quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra

e da nuvem uma voz dizia:

“Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai O”.

Ao ouvirem estas palavras,

os discípulos caíram de rosto por terra a assustaram se muito.

Então Jesus aproximou-se e, tocando os, disse:

“Levantai vos e não temais”.

Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.

Ao descerem do monte, Jesus deu lhes esta ordem:

“Não conteis a ninguém esta visão,

até o Filho do homem ressuscitar dos mortos”.

 

 

Reflexão vicentina

Esta semana, celebramos a “Transfiguração do Senhor Jesus”.

 

Transfigurar significa mudar de figura, de aparência.Vale à pena analisar em que “figura” Jesus se transformou.O Evangelho de Mateus nos diz que “o seu rosto brilhou como o sol; e as suas roupas ficaram brancas como a luz”.Portanto, aparece aqui a importância da luz.A luz que ilumina o caminho, a luz que elimina a escuridão de nossas almas, a luz que dá a energia para esquecer a depressão e continuar a caminhada, a luz que nos permite ler e escrever. Para quem tem boa visão, é impossível imaginar a vida sem luz.Muitas vezes não nos damos conta da sua importância; somente quando não a temos é que lhe damos o devido valor.

 

Jesus se transforma em luz!É interessante o fato de que Moisés e Elias aparecem perto de Jesus e uma voz do céu diz “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado.Escutai-o!”.Uma mensagem clara estava sendo dada: é muito importante tudo o que Moisés e Elias haviam feito no Antigo Testamento, mas o Filho de Deus era Jesus; Ele é a luz; Ele é quem deve ser escutado!É como se o Pai estivesse dizendo: “chegou um novo tempo”.

 

Interessante que vivemos buscando epifanias (eventos fortes da manifestação de Deus em nossa vida).Vivemos querendo ser os escolhidos, como foram Pedro, Tiago e João, os quais Jesus “tomou consigo e levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha”.   Vivemos querendo que Jesus se transfigure em tantas coisas: em uma casa nova, em uma cura milagrosa, na mudança de uma pessoa que nos faz mal.  E isso é absolutamente humano, porque a busca da transformação, da mudança interior, é que nos leva adiante na vida.  Mas, muitas vezes, Jesus se apresenta na nossa vida como luz e não damos muita atenção, não entendemos bem o que passa, exatamente como passou com Pedro, que, com toda a boa intenção, propôs construir tendas para Jesus, Moisés e Elias.  Mas a mensagem não era a construção de tendas, ou de manter as tendas que já possuímos: a mensagem era de enfocar na luz, entender a luz, escutar a luz... e abandonar todo o resto.

 

Como em muitas outras ocasiões, Jesus percebe que os apóstolos estavam cheios de temor, sem entender nada daquele fenômeno assustador e lhes diz para que não tivessem medo. Era como se estivesse dizendo: não tenham medo porque a luz foi apresentada especialmente a vocês três, para que entendam.Depois, Jesus diz para que somente contassem o que viram depois da ressurreição.E assim fez Pedro, em sua carta escrita muito tempo depois.

 

Como vicentinos, vale à pena pensar quantas vezes Jesus se transforma na nossa frente, na casa do Pobre que assistimos. Quantas vezes chegamos na tenda do Pobre cheios de medo; medo de nossas inseguranças, de nossos fracassos, de nosso futuro; às vezes temos medo até mesmo do Pobre que servimos, pensando que ele vai nos enganar, que vai nos utilizar para obter coisas materiais. Será que Jesus não está lá dentro da casa do assistido, mostrando-nos a luz, dizendo que Ele é o Filho amado?Será que Jesus não se transfigura na pessoa do Pobre em cada visita, pedindo que O Escutemos, dizendo que Ele – o Pobre – é o Filho amado em quem Deus pôs todo o seu agrado?

 

Não precisamos de mais epifanias: cada encontro com o assistido é uma epifania e nos convida a mudar de vida e seguir a luz de Cristo.