Ozanet

Ano B - Sétimo Domingo do Tempo Comum

Escrito em 24/02/2030
Ozanet

Ano B - Sétimo Domingo do Tempo Comum

Leituras: Is 43,18-19.21-22.24b-25; 2 Cor 1,18-22; Mc 2,1-12

 

Jesus nos concedeu a unção, nos marcou com o seu sinal

e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito”.

 

Leitura do Livro de Isaías

Eis o que diz o Senhor:

«Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados,

não presteis atenção às coisas antigas.

Eu vou realizar uma coisa nova,

que já começa a aparecer; não o vedes?

Vou abrir um caminho no deserto,

fazer brotar rios na terra árida.

O povo que formei para Mim proclamará os meus louvores.

Mas tu não Me chamaste, Jacob,

não te preocupaste Comigo, Israel.

Pelo contrário, obrigaste-Me a suportar os teus pecados,

cansaste-Me com as tuas iniquidades.

Sou Eu, sou Eu que, em atenção a Mim,

tenho de apagar as tuas transgressões

e não mais recordar as tuas faltas».

 

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:

Deus é testemunha fiel

de que a nossa linguagem convosco não é sim e não.

Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo,

que nós pregamos entre vós – eu, Silvano e Timóteo –

não foi sim e não, mas foi sempre um sim.

Todas as promessas de Deus são um sim em seu Filho.

É por Ele que nós dizemos ‘Amém’ a Deus para sua glória.

Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus.

Foi Ele que nos concedeu a unção,

nos marcou com o seu sinal

e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos

Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum

e se soube que Ele estava em casa,

juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta;

e Jesus começou a pregar-lhes a palavra.

Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens;

e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão,

descobriram o teto por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura,

desceram a maca em que jazia o paralítico.

Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico:

“Filho, os teus pecados estão perdoados”.

Estavam ali sentados alguns escribas,

que assim discorriam em seus corações:

“Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar.  Não é só Deus que pode perdoar os pecados?”

Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes:

“Porque pensais assim nos vossos corações?

Que é mais fácil?

Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’

ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua maca e anda’?

Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados,

‘Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua maca e vai para casa’”.

O homem levantou-se, tomou a maca e saiu diante de todos,

de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo:

“Nunca vimos coisa assim”.

 

Reflexão Vicentina

Nas leituras desta semana, Deus nos pede que tenhamos consciência de que Ele nos marcou com o Espírito Santo.  Quer queiramos, quer não, o Espírito Santo está em nós, desde o nosso batismo e, portanto, Deus habita em nós.  Cabe a nós a decisão se O reconhecemos ou não  como a razão e guia de nossa vida.

 

Na Carta aos Coríntios, Paulo nos faz lembrar este sinal: “Jesus nos concedeu a unção, nos marcou com o seu sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito”.   Na mesma carta, o apóstolo nos diz claramente que a nossa forma de reconhecer a Deus dentro de nós é através de como tomamos decisões em nossa vida.  O cristão que busca continuamente o Espírito Santo no fundo de si mesmo não tem dúvida se deve dizer “sim” ou “não” à virtude e à santidade: diz sempre “sim”!

 

No Evangelho, Jesus se comove com os discípulos que fizeram um esforço adicional para levar o paralítico até Ele.  Eles não conseguiam levar a maca do paralítico até dentro da casa onde estava Jesus, porque havia muita gente.  Os discípulos demonstraram a sua fé em Jesus de forma criativa e ousada: entraram por um buraco no teto da casa.  A recompensa de Jesus foi o perdão dos pecados do paralítico. 

 

Como não poderia deixar de ser, os opositores de Jesus (o demônio que estava neles) criticaram a Jesus, pondo dúvida sobre o Seu poder de perdoar os pecados.  A resposta de Jesus não foi “no mesmo nível do demônio”, mas foi uma manifestação de Seu amor pelo paralítico, pelos discípulos que o haviam carregado – e que não poderiam ficar mal e decepcionados diante dos outros – e pelos próprios opositores: Jesus cura.  Depois deste ato, estava claro que o Mesmo que cura o corpo, pode também perdoar os pecados.

 

Para nós, vicentinos, as leituras oferecem uma enorme fonte de reflexão.  A vocação vicentina para a santidade sempre nos leva a “dizer sim” à virtude: nunca optamos por nada que não seja a presença do Espírito Santo em nossa vida.

 

Às vezes, como vicentinos, somos os discípulos do Evangelho.  Quantas vezes temos dificuldades de “curar” as enfermidades físicas, mentais e espirituais de nossos assistidos!  Quantas vezes não conseguimos “livrar nossos assistidos das macas da pobreza” e buscamos soluções criativas e ousadas para servi-los!  São Vicente nos dizia que nossa caridade deve ser inventiva ao infinito.

 

Às vezes, como os opositores de Jesus do Evangelho, temos dúvida do poder de Deus de curar o que não conseguimos corrigir.  A dúvida, como oposto da fé, na verdade reforça a fé.  E Deus nos responde com o mesmo amor com que respondeu Jesus ao paralítico: no Seu tempo, Ele cura e reafirma o Seu amor pelos assistidos e por nós. 

 

No final, a vocação vicentina é uma “marca” especial do Espírito Santo em nós.  Da mesma forma que os discípulos do Evangelho se aproximaram de Jesus de forma ousada e criativa para curar o paralítico, também nós nos aproximamos Dele, para servir o Pobre, nosso Mestre e Senhor.