Ozanet

Ano A - Quarto Domingo do Tempo Comum

Escrito em 01/02/2032
Ozanet

Ano A - Quarto Domingo do Tempo Comum

Leituras: Sof 2, 3; 3, 12-13; 1 Cor 1, 26-31; Mt 5,1-12

 

“Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.  Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa.”

 

Leitura da Profecia de Sofonias

Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos.

Procurai a justiça, procurai a humildade; talvez encontreis proteção no dia da ira do Senhor.

Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde, que buscará refúgio no nome do Senhor.

O resto de Israel não voltará a cometer injustiças, não tornará a dizer mentiras,

nem mais se encontrará na sua boca uma língua enganadora.

Por isso, terão pastagem e repouso, sem ninguém que os perturbe.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos: vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando,

nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos.

Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios;

escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale,

a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus.

É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus,

justiça, santidade e redenção.

Deste modo, conforme está escrito, “quem se gloria deve gloriar-se no Senhor”.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.

Rodearam-no os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

Bem-aventurados sereis,

quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.

Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa”.

 

Reflexão vicentina

O Sermão da Montanha é talvez o texto mais belo e mais importante do Evangelho.  Nele encontramos todos os princípios da vida cristã.  Acima de tudo, ele nos oferece um menu vicentino de vida na humilde esperança.  O vicentino é pobre porque vive com e como o Pobre; o vicentino tem fome porque quer justiça para os Pobres; o vicentino chora quando vê a miséria do irmão que sofre; e o vicentino muitas vezes é rejeitado e insultado (até mesmo odiado) pelo mundo que não valoriza a humilde esperança.

 

Por tudo isso, o vicentino é aquele que vive esta vida na alegria do Senhor, com a esperança da alegria da recompensa eterna no Céu.  Só quem vive na esperança humilde pode aceitar esta ideia que parece tão absurda no mundo em que vivemos.  Paulo vai na mesma direção, na Epístola aos Coríntios quando qualifica viver em Cristo como “loucura neste mundo”: “Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios”.

 

No Sermão da Montanha, Jesus chama esta “loucura” de pureza e promete: “bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”.  A palavra pureza indica essência.  A água pura é a que pode ser encontrada na forma mais limpa, H2O puro, sem misturas.  Sermos puros significa voltarmos ao mais íntimo, ao mais essencial de nós mesmos, como Deus nos fez.  Deus nos criou à sua imagem e Jesus diz que podemos contemplar a Deus, se buscarmos ser puros, se buscarmos ser semelhantes a Deus.

 

Todas as bem-aventuranças são belíssimas e poderíamos escrever um livro para cada uma delas.  Os que vivem o carisma vicentino têm a graça de se identificar com todas elas, porque buscam (ou deveriam buscar) ser santos todos os dias.  Mas duas destas bem-aventuranças têm um sabor vicentino especial: “bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” e “bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”.  Elas resumem o que Ozanam viveu como vicentino e estão intimamente ligadas: a proximidade e semelhança com os Pobres e a luta sem limites pela justiça (a ponto de ser perseguido). 

 

Só pode ser pobre de espírito quem conhece a pobreza.  E só conhece a pobreza quem encontra o Pobre e vive como Ele.  Só pode lutar pela justiça quem conhece o que é justiça (dar a Deus e ao outro o que lhes é devido).  E só conhece a justiça quem vai ao encontro do outro e o enxerga não como uma pessoa qualquer, mas como um filho de Deus.  Como é bom ser vicentino!