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Ano B - Trigésimo Primeiro Domingo do Tempo Comum

A partir de Domingo, 31 Outubro 2021 até Sábado, 6 Novembro 2021

Ano B - Trigésimo Primeiro Domingo do Tempo Comum

Leituras: Dt 6,2-6; Heb 7,23-28; Mc 12,28-34

 

“Deus é único e não há outro além d’Ele.

Amá-Lo com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças,

e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.”

 

Primeira Leitura – Livro do Deuteronômio

Moisés dirigiu-se ao povo, dizendo: “Temerás o Senhor, teu Deus, todos os dias da tua vida,

cumprindo todas as suas leis e preceitos que hoje te ordeno, para que tenhas longa vida,

tu, os teus filhos e os teus netos.

Escuta, Israel, e cuida de pôr em prática

o que te vai tornar feliz e multiplicar sem medida na terra onde corre leite e mel,

segundo a promessa que te fez o Senhor, Deus de teus pais.

Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Deus.

Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças.

As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração”.

 

Segunda Leitura – São Paulo aos Hebreus

Os sacerdotes da antiga aliança sucederam-se em grande número,

porque a morte os impedia de durar sempre.

Mas Jesus, que permanece eternamente, possui um sacerdócio eterno.

Por isso pode salvar para sempre aqueles que por seu intermédio se aproximam de Deus,

porque vive perpetuamente para interceder por eles.

Tal era, na verdade, o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha,

separado dos pecadores e elevado acima dos céus,

que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios,

primeiro pelos seus próprios pecados, depois pelos pecados do povo,

porque o fez de uma vez para sempre, quando Se ofereceu a Si mesmo.

A Lei constitui sumos sacerdotes homens revestidos de fraqueza,

mas a palavra do juramento, posterior à Lei, estabeleceu o Filho sumo sacerdote perfeito para sempre.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe:

“Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Jesus respondeu:

“O primeiro é este: ‘Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor.

Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’.

O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.  Não há nenhum mandamento maior que estes.”

Disse-Lhe o escriba: “Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes:

Deus é único e não há outro além d’Ele.

Amá-Lo com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças,

e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.”

Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: “Não estás longe do reino de Deus”.

E ninguém mais se atrevia a interrogá-Lo.

 

Reflexão vicentina

A palavra das leituras deste domingo é “amor”.  Santo Agostinho dizia: ““ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor será os teus frutos”.

 

A mensagem é clara no Evangelho: “Deus é único e não há outro além d’Ele.  Amá-Lo com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.”  O amor a Deus não pode se dissociar do amor ao próximo como o amor a si mesmo.  Aqui, o menosprezo de “holocaustos e sacrifícios” não significa que não devamos fazer sacrifícios, jejuns e abstinências pelo próximo.   Era uma indicação clara aos judeus daquela época: deveriam substituir o “sacrifício aos ídolos”, usando animais, pelo sacrifício do amor, pela doação de si mesmos.  

 

Em outras reflexões, apresentamos o conceito do “si mesmo” da psicologia.  Concluímos que o “si mesmo” (ou “self” na linguagem de Jung) é Deus que está dentro de nós, no fundo do nosso ser, de nossa mente, de nosso corpo: é o Espírito Santo que nos fala quando O chamamos, quando queremos percebê-Lo, quando queremos escutá-Lo.

 

Não podemos amar o próximo sem conhecer e amar a nós mesmos.  Porque o próximo é o espelho de Deus que está dentro de nós.  Nossa forma de amar o outro é única, não há igual, porque é a projeção da visão que temos de Deus em nós mesmos.  Por isso, Jesus recorda no Evangelho o mandamento do amor do Antigo Testamento nestes termos: “amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”. 

 

Esta é também a razão pela qual São Vicente insistia tanto na necessidade de que nos aproximemos do Pobre, tomando-O como nosso Mestre e Senhor, com todo o nosso ser.  A relação que o vicentino tem com o Pobre é única e é a projeção de Deus que está em cada um de nós.  A forma de trabalho da Conferência Vicentina é sábia: por tradição, a família assistida deve ser visitada por mais de um membro da Conferência, de forma alternada (cada semana, um vicentino diferente visita a mesma família).  Isto, porque a minha forma de amar a família assistida é diferente da forma como o meu confrade ou consocia da minha Conferência ama a mesma família.  Cada um de nós aprende de forma diferente do nosso “Mestre”, a melhor forma de servi-Lo como o nosso “Senhor” (usando as expressões de São Vicente).

 

Assim também é a nossa relação com Deus: é única.  Expressar o amor por Deus é uma tarefa de muita oração, penitência e amor ao próximo.  O Livro do Deuteronômio neste domingo diz isto claramente: “Temerás o Senhor, teu Deus, todos os dias da tua vida, cumprindo todas as suas leis e preceitos que hoje te ordeno, para que tenhas longa vida, tu, os teus filhos e os teus netos.”  Conseguir identificar e seguir o plano de Deus para nós é uma graça que devemos pedir todos os dias!   Esta graça permite que todos – nós e a nossa descendência – possamos alcançar a “vida longa”, a vida eterna ainda neste mundo.