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Ano B - Trigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum

A partir de Domingo, 7 Novembro 2021 até Sábado, 13 Novembro 2021

Ano B - Trigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum

Leituras: 1 Re 17,10-16; Heb 9,24-28; Mc 12,38-44

 

“Esta pobre viúva colocou na caixa mais do que todos os outros. Eles puseram o que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver”.

 

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Naqueles dias, o profeta Elias pôs-se a caminho e foi a Sarepta.

Ao chegar às portas da cidade, encontrou uma viúva apanhando lenha.

Chamou-a e disse-lhe: “Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber”.

Quando ela ia a buscar a água, Elias chamou-a e disse:

“Por favor, traz-me também um pedaço de pão”.

Mas ela respondeu: “Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus,

eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela

e um pouco de azeite na almotolia.

Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho.

Depois comeremos e esperaremos a morte”.

Elias disse-lhe: “Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traze-o aqui.

Depois prepararás o resto para ti e teu filho.

Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha,

nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’”.

A mulher foi e fez como Elias lhe mandara; e comeram ele, ela e seu filho.

Desde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou, nem se esvaziou a almotolia do azeite,

como o Senhor prometera pela boca de Elias.

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu,

para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor.

E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como sumo sacerdote que entra cada ano no Santuário,

como sangue alheio; nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes,

desde o princípio do mundo.

Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos,

para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo.

E, como está determinado que os homens morram uma só vez e a seguir haja o julgamento,

assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão,

aparecerá segunda vez, sem a aparência do pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo:

“Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças,

de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes.

Devoram as casas das viúvas com pretexto de fazerem longas rezas.

Estes receberão uma sentença mais severa”.

Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro observando como a multidão deixava o dinheiro na caixa.

Muitos ricos deixavam quantias avultadas.

Veio uma pobre viúva e depositou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante.

Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: “Em verdade vos digo:

Esta pobre viúva colocou na caixa mais do que todos os outros.

Eles puseram o que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha,

tudo o que possuía para viver”.

 

Reflexão vicentina

As leituras deste domingo apresentam duas viúvas: uma no Antigo e outra no Novo Testamento.  A do livro dos Reis é uma mulher pobre de Sarepta, que, apesar da sua pobreza, reparte com o profeta Elias os poucos alimentos que tem.  A mulher do Evangelho é igualmente pobre e doa ao templo pouco, mas é tudo o que tem.  No Antigo Testamento e no tempo de Jesus, as viúvas eram dignas de pena, porque não possuíam um esposo para trabalhar para elas e para os seus filhos.

 

À primeira vista, parecem leituras que falam sobre a caridade.  De fato, a doação do pouco que têm para os outros é uma manifestação de um coração caridoso que se compadece dos outros e compartilha sua pobreza com eles.  Olhando um pouco mais em profundidade os textos, entendemos que eles falam sobre outra virtude teologal: a da fé.  A viúva de Sarepta dá o que tem porque o profeta Elias lhe diz que o Deus de Israel afirmou pelas escrituras que compartilhar o pão levaria à fartura.  A viúva do Evangelho deposita no templo o pouco que tinha como uma manifestação de sua crença de que estava compartilhando seu pouco com Deus.

 

São Paulo, na Carta aos Hebreus, apresenta um paralelo a estas “doações de fé”.  Ele diz que Cristo foi o doador por excelência, porque doou o seu próprio corpo em sacrifício por toda a humanidade.  E pede que creiamos que esta doação foi apenas a Sua primeira vinda: muito mais importante é crer na Sua segunda vinda.  Ele diz: “Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, sem a aparência do pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam”.

 

Como vicentinos somos chamados a ser caridosos.  Sim, a doar o que temos de mais valioso em nossa vida: o nosso tempo para a visita ao assistido.  Nos dias de hoje, com tantas opções de uma vida corrida, o tempo é o nosso maior bem: ele vale mais para nós do que valiam as “duas moedas” que a viúva pobre do Evangelho depositou no templo.  Mas Cristo nos pede que doemos o nosso maior bem, o tempo, pela virtude da fé: a fé de que estamos visitando o Pobre em nome do Senhor.  São Vicente chamava os Pobres de nossos Senhores e Mestres.  Então, a nossa fé deve ser tão forte que nos faça seguros de que visitamos o nosso “Senhor”, em nome do nosso Senhor Jesus.  Nosso tempo, nossas duas moedas, que valem muito para nós, valem muito mais para o Pobre, tanto porque O ajudamos materialmente, quanto (e muito mais) porque levamos a Ele a certeza de nossa fé, uma fé contagiante, transformadora e divina (de tão humana que é).