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Ano B - Trigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum – Solenidade de Cristo, Rei do Universo

A partir de Domingo, 21 Novembro 2021 até Sábado, 27 Novembro 2021

Ano B - Trigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum – Solenidade de Cristo, Rei do Universo

Leituras: Dan 7,13-14; Ap 1,5-8; Jo 18,33b-37

 

“É como dizes: sou Rei. 

Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.

Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.”

 

Primeira Leitura – Profeta Daniel

Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu,

veio alguém semelhante a um filho do homem.

Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença.

Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram.

O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.

 

Segunda Leitura – Apocalipse de São João

Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra.

Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado

e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai,

a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

Ei-Lo que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram;

e por sua causa hão de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Amém.

“Eu sou o Alfa e o Ómega”, diz o Senhor Deus,

“Aquele que é, que era e que há de vir, o Senhor do Universo”.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: “Tu és o Rei dos judeus?”

Jesus respondeu-lhe: “É por ti que o dizes, ou foram outros que te disseram isso de Mim?”

Disse-Lhe Pilatos: “Porventura eu sou judeu?

O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?”

Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo.  Se o meu reino fosse deste mundo,

os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus.

Mas o meu reino não é daqui”.

Disse-Lhe Pilatos: “Então, Tu és Rei?”

Jesus respondeu-lhe: “É como dizes: sou Rei.

Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.

Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

 

 

 

 

Reflexão vicentina

Neste domingo, celebraremos a solenidade de Cristo, o Rei do Universo.

 

A figura dos reis e rainhas existe desde sempre.  Associamos esta figura a três características: riqueza, glória e poder.  Todo o rei é rico e deve mostrar que é rico.  Todo o rei aparece cheio de fama, de glória, para que todos o reconheçam como tal.  E todo o rei, de alguma forma tem o poder de governar ou de definir/aprovar governantes.

 

Por isso, todas as pessoas querem de alguma forma ser reis ou rainhas.  Pode ser o rei da empresa, o rei da SSVP, o rei da comunidade paroquial, o rei da cidade ou do país.  Realmente, ser rei faz bem ao nosso ego, ao nosso ser humano.

 

Jesus é o Rei do Universo, porque é Filho de Deus, o criador e redentor de todos e de todas as coisas.  E Ele não nega que é Rei: em frete a Pilatos e, sabendo que o desafiaria, diz com força que “eu sou Rei”!  Mas rapidamente corrige: “meu reino não é deste mundo”, senão Eu estaria cercado de riqueza, de glória e de poder.  Ele é o Rei do Reino de Deus, o “Alfa e o Ômega”, como diz a segunda leitura, ou seja, o princípio e o fim.  O Reino de Deus é comparado a muitas coisas nas escrituras: a um grão de mostarda, a uma pérola preciosa, a um tesouro.  É o Reino do Amor e, para participar dele, devemos amar a Deus, a nós e ao próximo.  É uma fórmula simples!

 

Como Jesus diz, é o Reino da Verdade, a verdade que liberta, não é a verdade que oprime e nos faz súditos de alguma estrutura de poder.  A riqueza do Reino de Jesus é encontrar uma pérola – descobrir esta Verdade – e vender tudo o que se tem para comprá-la.  A glória do Reino de Jesus é a intenção de ser reconhecido por Deus como um filho ou uma filha amada.  E o poder do Reino de Jesus é a capacidade de amar, amar sempre, amar a todos.

 

A proximidade do Pobre, o “Mestre”, faz com que o vicentino descubra esta Verdade em cada visita.  Ir ao encontro do Pobre é como encontrar uma pérola, um tesouro, que nos transforma.  Ir ao encontro do Pobre é a certeza do reconhecimento por Deus de sermos Seus anjos, Seus mensageiros.  Ir ao encontro do Pobre é também o poder – dado pelo próprio Deus - de melhorar vidas, transformar corações e empreender na justiça. 

 

Se Jesus tivesse sido um rei deste mundo, já teria sido esquecido, como tantos outros que passaram pela história da salvação.  O que O fez eterno foi exatamente ser o Rei do mundo da Verdade única e divina.  A mesma realeza eterna, única e divina tem o vicentino que opta livremente por viver esta Verdade, junto ao Pobre.