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Ano C - Segundo Domingo do Advento

A partir de Domingo, 5 Dezembro 2021 até Sábado, 11 Dezembro 2021

Ano C - Segundo Domingo do Advento

Leituras: Bar 5,1-9; Filip 1,4-6.8-11; Lc 3,1-6

 

“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.”

 

Leitura do Livro de Baruc

Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus.

Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno.

Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu;

Deus te dará para sempre este nome: “Paz da justiça e glória da piedade”.

Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente:

vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo,

felizes por Deus Se ter lembrado deles.

Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti,

trazidos em triunfo, como filhos de reis.

Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra,

a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus.

Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus,

porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória,

com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos: Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós,

recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente.

Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra

há de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus.

Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus.

Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento,

para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo,

na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério,

quando Poncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia,

seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene,

no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.

E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um batismo de penitência

para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías:

“Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas;

endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas;

e toda a criatura verá a salvação de Deus’”.

 

Reflexão vicentina

Neste domingo, celebramos o segundo do tempo do Advento, ou seja, da preparação para o nascimento de Cristo.  O tema deste domingo no sentido desta preparação é a nossa conversão.

 

O Evangelho de São Lucas nos apresenta o papel de São João Batista, como o que prepara a chegada do Senhor.  Esta preparação do caminho do Senhor é feita “endireitando as suas veredas, preenchendo os vales e abatendo os montes e colinas, endireitando os caminhos tortuosos e aplainando as veredas escarpadas”.  É, portanto, uma mensagem para que busquemos eliminar todos os obstáculos que nos impedem de receber o Menino Jesus em nossa vida.

 

Cada um de nós tem a sua própria vereda a endireitar, conhece os vales que têm que ser aterrados e as colinas que devem ser eliminadas.  Portanto, o Advento é um momento de reflexão para descobrir o que temos que eliminar, o que temos que melhorar e o que temos que reforçar em nossa personalidade, em nosso comportamento.  Nossas imperfeições são uma graça de Deus.  Já pensou se fôssemos perfeitos?  Seríamos robôs, sem nada para melhorar.

 

É muito interessante como o Evangelho nos diz que João tinha que pregar no deserto.  Quantas vezes pregamos no deserto com nossos amigos, nossos filhos, nossos companheiros de trabalho ou de Conferência Vicentina!  Quando “pregamos no deserto”, parece que estamos perdendo tempo.  Mas é necessário saber que não estamos sós: Deus vai conosco, prega conosco; nossa capacidade é Dele e nossos resultados também são Dele.  São Francisco de Assis pregava aos pássaros quando as pessoas não queriam ouvi-lo.

 

Mas, antes de pregar, é necessário que nos convertamos, que reconheçamos que muitas vezes somos nós mesmos o “deserto”, um lugar onde a Palavra de Deus não penetra, não se fixa, mas se deixa levar pelo vento e pela areia.  A reflexão do Advento deve servir para que deixemos de ser “desertos” e compreendamos o que Deus quer de nós, o que devemos “endireitar”, para que possamos também nós pregar, evangelizar, viver a Verdade.

 

Como vicentinos, muitas vezes “pregamos no deserto”, com nossos assistidos.  Ficamos frustrados porque eles não se modificam, não melhoram, não lutam pela vida.  Será que é justo pedir que o Pobre pense como nós?  Será que o que queremos ou pensamos é o correto?  Na Carta aos Filipenses deste domingo, São Paulo diz que reza para que a nossa “caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento”.  É preciso, sim, ter a ciência para apoiar o Pobre na busca de Sua dignidade, mas ter o discernimento para reconhecer que, “se Ele for deserto e não nos escutar”, é porque Ele é refém de sua própria história, e porque as Suas veredas são mais difíceis de endireitar que as nossas.  Aí, é quando se requer o nosso desapego, nossa capacidade de deixar nas mãos de Deus que tem toda a ciência e todo o discernimento, para completar nossa obra de serviço aos Pobres.