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Ano C - Batismo do Senhor (Primeiro Domingo Tempo Comum)

A partir de Domingo, 9 Janeiro 2022 até Sábado, 15 Janeiro 2022

Ano C - Batismo do Senhor (Primeiro Domingo Tempo Comum)

Leituras: Is 42,1-4.6-7; At 10, 34-38; Lc 3,15-16.21-22

 

“Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência.”

 

Leitura do Livro de Isaías

Diz o Senhor: “Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma.

Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações.

Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças;

não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega:

proclamará fielmente a justiça.

Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra,

a doutrina que as ilhas longínquas esperam.

Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te

e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos,

tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas”.

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse:

“Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas,

mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável.

Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel,

anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.

Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia,

depois do batismo que João pregou:

Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem

e curando todos os que eram oprimidos pelo Demônio, porque Deus estava com Ele”.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações

se João não seria o Messias.

João tomou a palavra e disse-lhes: “Eu batizo-vos com água,

mas vai chegar quem é mais forte do que eu,

do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias.

Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo”.

Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado;

e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele

em forma corporal, como uma pomba.

E do céu fez-se ouvir uma voz:

“Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.

 

Reflexão vicentina

Neste domingo, celebramos o Batismo de Jesus.  A origem da palavra “batismo” nos leva ao significado de “imersão” (do latim baptismus ou do grego baptismós).

 

Jesus é batizado já adulto por João Batista e, durante a cerimônia da imersão no Rio Jordão, o Evangelho de Lucas nos apresenta um fenômeno sobrenatural.  “Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba.  E do céu fez-se ouvir uma voz:  ´Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência´”.

 

O Batismo de Jesus nos leva a dois fenômenos.  Primeiramente, Deus – o Pai – manifesta claramente que enviou o Seu Filho.  Este conceito - de “ser enviado” - já aparece na primeira leitura (do Profeta Isaías).  Ela anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim. 

 

Em segundo lugar, é no Batismo de Jesus que se expressa pela primeira vez, no Evangelho, a existência da Santíssima Trindade (o Pai, o Filho e o Espírito Santo).  O dogma da Igreja estabelece que os três são um único Deus em três pessoas, mas a sua existência é atestada pela Escritura.

 

Muito poucos de nós se lembram da cerimônia de seu batismo.  Éramos muito pequenos e, nesta ocasião, nossos pais e padrinhos nos introduziram à Igreja pelas mãos do sacerdote.  Por isso, muitos de nós, já adultos confirmamos a nossa fé na Santíssima Trindade e o nosso pertencimento à Igreja, através do sacramento da Confirmação (ou Crisma).

 

Será que não vale à pena nesta semana nos prepararmos para a Festa do Batismo do Senhor, assumindo com orgulho cristão nossa posição de enviados de Deus?  Se somos enviados, somos especiais para Ele, assim como foi o próprio Cristo: portanto, já não há lugar para duvidar sobre o nosso valor como pessoas únicas, humanas mas também divinas.  Se somos enviados, é porque temos uma missão neste mundo; ninguém é enviado somente para existir.  Creio que vale à pena refletir sobre esta missão.  Se a descobrimos, passamos a entender nossa importância e nossa razão de ser.

 

Por outro lado, o Batismo nos faz novas criaturas, filhos de Deus, ungidos pelo Espírito Santo que está dentro de nós.  Portanto, já não há lugar para o medo.  Deus nunca nos abandona.  Se aceitarmos a presença do Deus Espírito Santo em nós, nunca estaremos sós.  Por isso, temos insistido tanto na mística da vocação vicentina: a visita ao Pobre é um encontro do Espírito Santo, O que está em nós e O que está Nele. 

 

Como vicentinos, sabemos que Deus nos envia ao encontro do Pobre, para que encontremos aí, em sua casa, um novo Rio Jordão, onde o próprio Deus se manifesta em sua plenitude.  Cada visita é, assim, um novo Batismo.