Ozanet

Ano C - Terceiro Domingo do Tempo Comum

A partir de Domingo, 23 Janeiro 2022 até Sábado, 29 Janeiro 2022

Ano C - Terceiro Domingo do Tempo Comum

Leituras: Ne 8,2-4a.5-6.8-10; 1 Cor 12,12-30; Lc 1,1-4;4,14-21

 

“Hoje é um dia consagrado a nosso Senhor;

portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza”.

 

Leitura do Livro de Neemias

Naqueles dias, o sacerdote Esdras trouxe o Livro da Lei perante a assembleia de homens e mulheres

e todos os que eram capazes de compreender.

Era o primeiro dia do sétimo mês. Desde a aurora até ao meio dia, fez a leitura do Livro,

no largo situado diante da Porta das Águas, diante dos homens e mulheres

e todos os que eram capazes de compreender.  Todo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro da Lei.

O escriba Esdras estava de pé num estrado de madeira feito de propósito.

Estando assim em plano superior a todo o povo, Esdras abriu o Livro à vista de todos;

e quando o abriu, todos se levantaram.

Então Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todos responderam, erguendo as mãos: “Amen! Amen!”.

E prostrando-se de rosto por terra, adoraram o Senhor.

Os levitas liam, clara e distintamente, o Livro da Lei de Deus e explicavam o seu sentido,

de maneira que se pudesse compreender a leitura.

Então o governador Neemias, o sacerdote e escriba Esdras, bem como os levitas, que ensinavam o povo,

disseram a todo o povo: “Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus.

Não vos entristeçais nem choreis”.  Porque todo o povo chorava, ao escutar as palavras da Lei.

Depois Neemias acrescentou: “Ide para vossas casas, comei uma boa refeição, tomai bebidas doces

e reparti com aqueles que não têm nada preparado.

Hoje é um dia consagrado a nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza”.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos: Assim como o corpo é um só e tem muitos membros,

e todos os membros do corpo, apesar de numerosos, constituem um só corpo,

assim sucede também em Cristo.

Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito

para constituirmos um só corpo e a todos nos foi dado a beber um só Espírito.

De fato, o corpo não é constituído por um só membro, mas por muitos. Se o pé dissesse:

“Uma vez que não sou mão, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixaria de fazer parte do corpo.

E se a orelha dissesse: “Uma vez que não sou olho, não pertenço ao corpo”,

nem por isso deixaria de fazer parte do corpo.

Se o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfato?

Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros, segundo a sua vontade.

Se todo ele fosse um só membro, que seria do corpo?

Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo.

O olho não pode dizer à mão: “Não preciso de ti”; nem a cabeça dizer aos pés: “Não preciso de vós”.

Pelo contrário, os membros do corpo que parecem fracos são os mais necessários;

os que nos parecem menos honrosos cuidamo-los com maior consideração;

e os nossos membros menos decorosos são tratados com maior decência:

os que são mais decorosos não precisam de tais cuidados.

Deus organizou o corpo, dispensando maior consideração ao que dela precisa,

para que não haja divisão no corpo e os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros.

Deste modo, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele;

se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele.

Vós sois corpo de Cristo e seus membros, cada um por sua parte.

Assim, Deus estabeleceu na Igreja em primeiro lugar apóstolos,

em segundo lugar profetas, em terceiro, os doutores.

Vêm a seguir os dons dos milagres, das curas, da assistência, de governar, de falar diversas línguas.

Serão todos apóstolos? Todos profetas? Todos doutores? Todos farão milagres?

Todos terão o poder de curar?  Todos falarão línguas? Todos terão o dom de as interpretar?

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas

Já que muitos empreenderam narrar os fatos que se realizaram entre nós,

como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra,

também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens,

escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado.

Naquele tempo, Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito,

e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos.

Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado.

Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura.

Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres.

Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos

e a proclamar o ano da graça do Senhor”.

Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se.

Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes:

“Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”.

 

Reflexão vicentina

As leituras deste domingo enfatizam o conceito de comunidade cristã, o que é muito importante para compreendermos o que deve ser uma Conferência Vicentina ideal.  Uma comunidade cristã tem três características: todos são necessários e importantes; cada um tem um dom ou uma função diferente; e todos devem viver na alegria e na caridade.

 

Numa comunidade cristã, todos são necessários e importantes.  Na época de Jesus, ou, mais precisamente, depois de Sua ascensão ao céu, havia muita discussão entre os apóstolos sobre quem deveria ser evangelizado.  Alguns (a maioria) pensava que os judeus deveriam ter prioridade; pensava-se mesmo que os gentios e pagãos (não judeus) deveriam primeiramente converter-se ao judaísmo (através do símbolo da circuncisão) para depois serem batizados e tornarem-se cristãos.  Paulo traz um conceito muito diferente e inclusivo: ele diz que todos, sem distinção, são chamados a ser batizados no Senhor.  “Todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito para constituirmos um só corpo e a todos nos foi dado a beber um só Espírito.”   O resultado final foi que a evangelização entre os não judeus foi muito mais frutífera!

 

Como vicentinos, será que às vezes julgamos se alguém deve se juntar às nossas Conferências, dependendo de sua origem, sua raça, sua condição social?  Às vezes, julgamos tanto os pobres, quanto os ricos.  Duvidamos se uma pessoa que tenha bens ou bons empregos ou boa formação cultural deveria se juntar a nós; criamos um imaginário de que somente os pobres podem servir os Pobres.  Qualquer tipo de preconceito deve ser eliminado quando convidamos alguém para fazer parte de nossas Conferências.  O vicentino, por natureza, busca o que há de bom nas pessoas para que as ajudemos a se converterem pela vocação que nós abraçamos.  Paulo complementa: “os membros do corpo que parecem fracos são os mais necessários; os que nos parecem menos honrosos cuidamo-los com maior consideração”.  Acreditamos que a melhor forma de transformar a alma de uma pessoa é fazê-la conviver conosco a vocação vicentina!

 

Numa comunidade cristã, cada um tem um dom ou uma função diferente.  Nenhuma função (ou dom) é melhor do que a outra; elas são simplesmente diferentes.  Paulo estabelece muito bem este conceito.  “Deus estabeleceu na Igreja em primeiro lugar apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro, os doutores.  Vêm a seguir os dons dos milagres, das curas, da assistência, de governar, de falar diversas línguas.  Serão todos apóstolos? Todos profetas? Todos doutores? Todos farão milagres?  Todos terão o poder de curar?  Todos falarão línguas? Todos terão o dom de as interpretar?”.

 

Em nossas Conferências ou conselhos vicentinos, às vezes somos apóstolos, às vezes doutores, às vezes profetas.  Às vezes, Deus nos pede para fazer alguns milagres na casa do assistido, através de nossa oração e de nossa ação.  Não é necessário ser presidente para ser líder vicentino: pelo contrário, às vezes, quando não se tem o peso das atividades burocráticas, pode-se liderar projetos muito importantes tanto para os Pobres, quanto para o bem de nossas Conferências.  Mas, isso não quer dizer que, se o Espírito Santo nos chamar para uma função de chefia ou coordenação, não devamos aceitar.  Pelo contrário, se é Ele quem nos escolhe, com alegria devemos seguir o caminho que nos indica.

 

Numa comunidade cristã, todos devem viver na alegria e na caridade uns com os outros.  Nossa caridade deve começar dentro da Conferência vicentina, antes de se aplicar ao Pobre que servimos.  Paulo diz de forma até poética: “se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele”.

 

Uma Conferência vicentina ideal é aquela em que todos os seus membros vivem na amizade; todos se preocupam com todos, todos servem a todos, todos sofrem com todos e todos se alegram com todos.  Ozanam e seus amigos criaram as Conferências de História (e depois, Conferências de Caridade e Conferências de São Vicente de Paulo) para criar um ambiente, onde eles pudessem ser eles mesmos e se sentissem protegidos.  Este é o espírito primitivo que deve permanecer nas Conferências de hoje, em particular, em um mundo onde as relações são perigosas e pouco confiáveis.  Nossas Conferências são um lugar onde podemos viver a verdadeira alegria do Senhor.