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Ano C - Quarto Domingo do Tempo Comum

A partir de Domingo, 30 Janeiro 2022 até Sábado, 5 Fevereiro 2022

Ano C - Quarto Domingo do Tempo Comum

Leituras: Jer 1,4-5.17-19; 1 Cor 12,31-13,13; Lc 4,21-30

 

“Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade;

mas a maior de todas é a caridade.”

 

Leitura do Livro de Jeremias

No tempo de Josias, rei de Judá, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:

“Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi;

antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações.

Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar.

Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença.

Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze,

diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes,

diante dos sacerdotes e do povo da terra.

Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar”.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos: Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados.

Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo:

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade,

sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência,

ainda que eu possua a plenitude da fé, a ponto de transportar montanhas,

se não tiver caridade, nada sou.

Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos e entregue o meu corpo para ser queimado,

se não tiver caridade, de nada me aproveita.

A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa;

não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento;

não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade;

tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O dom da profecia acabará, o dom das línguas há de cessar, a ciência desaparecerá;

mas a caridade não acaba nunca.

De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos.

Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.

Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança.

Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil.

Agora vemos como num espelho e de maneira confusa, depois, veremos face a face.

Agora, conheço de maneira imperfeita, depois, conhecerei como sou conhecido.

Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade;

mas a maior de todas é a caridade.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo:

“Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”.

Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça

que saíam da sua boca.

E perguntavam: “Não é este o filho de José?”

Jesus disse-lhes: “Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’.

Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”.

E acrescentou: “Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.

Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias,

quando o céu se fechou durante três anos e seis meses

e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas,

mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidônia.

Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado,

mas apenas o sírio Naamã”.

Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga.

Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-No até ao cimo da colina

sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo.

Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

 

 

Reflexão vicentina

As leituras deste domingo apresentam um dos mais belos textos da Bíblia, o que chamamos do “Hino à Caridade” de São Paulo.  O texto é muito utilizado em cerimônias de casamento, porque expressa de forma mais bela o significado do amor que “não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade”.

 

Neste mesmo texto, São Paulo fala sobre o que chamamos de “virtudes teologais”, a fé, a esperança e a caridade; mas diz claramente que a “caridade é a maior delas”.  Podemos ter a maior fé em Deus possível, mas se não temos o amor pelo próximo e por nós mesmos (por Deus que está dentro de nós), de nada adianta.  Podemos viver pela esperança da vida eterna e preparar o futuro de salvação, mas se não vivermos no amor, de nada adianta.

 

O Evangelho mostra um desafio.  Viver as virtudes teologais não significa um passaporte para uma vida de reconhecimento pelos outros.  Ao contrário, os outros vão tentar de todas as maneiras nos tornar “pequenos”, buscando qualquer fraqueza que temos para nos humilhar: se não encontrarem nada, vão inventar.  Os chefes do templo insistiam em dizer que Jesus não tinha as credenciais para pregar aí, porque vinha de uma família simples: “não é este o filho de José?”.

 

A grande graça se manifesta na primeira leitura.  Não vivemos as virtudes teologais – em particular a caridade ou o amor – para ser vistos pelos homens, mas porque fomos escolhidos por Deus: “antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi”.  E esta certeza faz-nos capazes de não temer vivê-las e pregá-las em tudo o que fazemos, especialmente, quando os outros nos perseguirem por causa disso: “levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar.  Não temas diante deles”.

 

Como vicentinos, às vezes nos sentimos pregando no deserto e vivendo virtudes que não existem mais no mundo.  A caridade (o amor) raramente é recompensada pelas redes sociais (sejam elas reais ou virtuais).  Se nos medimos pelo que os outros pensam de nós, temos que limitar a fé aos momentos de celebração na Igreja e nas Conferências.  E a esperança na vida eterna e em uma vida de paz em Cristo tem que dar lugar aos valores materiais do grupo de referência que vivemos.

 

Buscar a santificação através do serviço ao Pobre e da defesa da justiça só pode ser recompensado pela fé de que foi o próprio Deus que nos escolheu, pela esperança que nos faz seguir em frente, sem medo, e pela caridade, como expressão do amor.  O amor deve ser maior do que qualquer virtude, maior do que o limite de nossa competência e sabedoria, maior do que nossa recompensa deste mundo.  O amor é o que nos faz divinos, sendo profundamente humanos.