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Ano C - Primeiro Domingo da Quaresma

A partir de Domingo, 6 Março 2022 até Sábado, 12 Março 2022

Ano C - Primeiro Domingo da Quaresma

Leituras: Dt 26,4-10; Rom 10,8-13; Lc 4,1-13

 

“Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”.

 

Leitura do livro do Deuteronômio

Moisés falou ao povo, dizendo: “O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra

e colocá-las-ás diante do altar do Senhor teu Deus.

E diante do Senhor teu Deus, dirás as seguintes palavras: ‘Meu pai era um arameu errante,

que desceu ao Egito com poucas pessoas, e aí viveu como estrangeiro

até se tornar uma nação grande, forte e numerosa.

Mas os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos e sujeitaram-nos a dura escravidão.

Então invocámos o Senhor Deus dos nossos pais e o Senhor ouviu a nossa voz,

viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava.

O Senhor fez-nos sair do Egito com mão poderosa e braço estendido,

espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios.

Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel.

E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’.

Então colocarás diante do Senhor teu Deus as primícias dos frutos da terra

e te prostrarás diante do Senhor teu Deus”.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Que diz a Escritura?

“A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”.

Esta é a palavra da fé que nós pregamos. Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor

e se acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo.

Pois com o coração se acredita para obter a justiça

e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação.

Na verdade, a Escritura diz: “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”.

Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor,

rico para com todos os que O invocam.

Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão.

Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo.

Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome.

O diabo disse-lhe: “Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão”.

Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’”.

O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra

e disse-Lhe: “Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos,

porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser.

Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu”.

Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’”.

Então o demónio levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe:

“Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque está escrito:

‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que te guardem’;

e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’”.

Jesus respondeu-lhe: “Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”.

Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação,

retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

 

Reflexão vicentina

A Quaresma é um tempo muito oportuno para pensarmos sobre a nossa vida e para nos converter.  Converter significa mudar de direção, ou seja, mudar de vida.  Muitas vezes associamos a conversão a deixar de pecar.  De fato, este é um lado importante da conversão, porque ao deixar de pecar, deixamos de nos deixar guiar pelo “demônio” que vive nos tentando, como ele fez três vezes com Jesus, no evangelho de Lucas deste domingo.  Mas há o demônio que nos tenta quando estamos tentando exercitar a virtude também (não somente quando deixamos de exercer o pecado).

 

E é muito interessante que o demônio nos tenta justamente quando nos sentimos mais fracos, pela fome, pela decepção e pelo “fracasso da santidade”.  É muito estranho que Jesus tenha ido ao deserto para rezar e jejuar por 40 (muitos) dias, e o demônio tenha conseguido tentá-Lo.  Era de se esperar que, em um ambiente de oração e de jejum (dois exercícios fundamentais da Quaresma), Jesus tivesse ficado “livre” da tentação do mal.  Mas aconteceu exatamente o contrário.

 

Assim acontece conosco.  Muitas vezes, é quando pensamos que estamos sendo mais santos ou mais caridosos, ou quando desenvolvemos um projeto que pensamos ser obra de Deus, que somos tentados pelo demônio do poder, ou da glória, ou da riqueza exagerada.  Na verdade, só os bons se decepcionam profundamente com o “fracasso” de seus planos de bondade; os maus realizam obras de egoísmo e, portanto, não se sentem decepcionados pelo fracasso.

 

Quantas estórias escutamos de santos que foram injustiçados, mal compreendidos, humilhados ou castigados exatamente por terem sido bons, por terem arriscado a sua “zona de conforto” para servir mais, em particular os Pobres.  Se isso aconteceu com você, então você deve se sentir muito feliz, porque participou da Cruz de Cristo que nada mais é do que uma expressão de tudo o que nos parece ser “fracasso”.  Mas a Cruz de Cristo se tornou, na verdade, a maior vitória da humanidade.

 

E é nestas horas que o demônio tenta tomar nossos corações e nossas mentes com promessas de vingança, de glória, de poder e de riqueza.  É necessário estar atentos para estas manifestações do demônio que está dentro de nós.  É necessário ir buscar a reação de santidade no fundo de nosso ser.  E esta busca pode (e deve) ser feita pela oração, pelo jejum e pela caridade (os três fundamentos da Quaresma).  

 

Quando você se decepcionar com algum projeto de santidade, busque o Santíssimo Sacramento, ofereça a decepção como sacrifício de Cruz e não abra espaço para o demônio.  A oração, o jejum e a caridade são “armaduras do Senhor” contra o demônio (Ef 6, 13-17).