Ozanet

Ano C - Terceiro Domingo da Quaresma

A partir de Domingo, 20 Março 2022 até Sábado, 26 Março 2022

Ano C - Terceiro Domingo da Quaresma

Leituras: Ex 3,1-8a.13-15; 1 Cor 10,1-6.10-12; Lc 13,1-9

 

“Quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.”

 

Leitura do Livro do Êxodo

Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã.

Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb.

Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça.

Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia.

Então disse a Moisés: “Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espetáculo:

por que motivo não se consome a sarça?”

Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça:

“Moisés! Moisés!”.  Ele respondeu: “Aqui estou!”

Continuou o Senhor: “Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos pés,

porque o lugar que pisas é terra sagrada”.

E acrescentou: “Eu sou o Deus de teu pai, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob”.

Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus.

Disse-lhe o Senhor: “Eu vi a situação miserável do meu povo no Egito;

escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias.

Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa,

onde corre leite e mel”.

Moisés disse a Deus: “Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes:

‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’.

Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei de responder-lhes?”

Disse Deus a Moisés: “Eu sou ‘Aquele que sou’”.

E prosseguiu: “Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós”.

Deus disse ainda a Moisés: “Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais,

Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós.

Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’”.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos: Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem,

passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, receberam todos o batismo de Moisés.

Todos comeram o mesmo alimento espiritual e todos beberam a mesma bebida espiritual.

Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava: esse rochedo era Cristo.

Mas a maioria deles não agradou a Deus, pois caíram mortos no deserto.

Esses fatos aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos o mal,

como eles cobiçaram.

Não murmureis, como alguns deles murmuraram, tendo perecido às mãos do Anjo exterminador.

Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo e foi escrito para nos advertir,

a nós que chegamos ao fim dos tempos. 

Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus,

juntamente com o das vítimas que imolavam.

Jesus respondeu-lhes: “Julgais que, por terem sofrido tal castigo,

esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não.

E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo.

E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou?

Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?

Eu digo-vos que não.

E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante.

Jesus disse então a seguinte parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha.

Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou.

Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira

e não os encontro. Deves cortá-la.  Porque há de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’

Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano,

que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo.

Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano”.

 

Reflexão vicentina

Neste terceiro domingo da Quaresma, período de reflexão, de oração, de penitência e de caridade, as leituras nos mostram que o caminho para a conversão passa por nosso compromisso com o perdão e com a fé na misericórdia infinita de Deus. 

 

Deus nos pede que perdoemos sempre.  Paulo nos oferece em sua Carta aos Coríntios, a oportunidade de repensar a nossa vida.  Deus não quer que sejamos escravos da arrogância, da sensação de que somos deuses e de que nunca podemos cair.  Nossas quedas acontecem para que nos demos conta de que somos fracos.  Como ele mesmo diz: “esses fatos acontecem para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos o mal”.  Nossas quedas acontecem para que sintamos nós mesmos o perdão de Deus e possamos aprender a perdoar sempre os que caem diante de nós.  Como sabemos, só pode perdoar aquele que passa pela experiência de ser perdoado! 

 

Como vicentinos, temos que ser capazes de perdoar sempre, em particular aos outros vicentinos e aos queridos de nossa família, quando julgamos que eles ou elas se equivocam.  Não podemos responder ao demônio que age através do nosso irmão, chamando também para nós o demônio.  O escudo mais poderoso contra o demônio é o perdão e a lança mais efetiva para matá-lo é o amor sem limites.  Isso parece teórico e poético, mas é muito real.

 

Adicionalmente, nossa salvação está baseada fundamentalmente na misericórdia de Deus.  Na primeira leitura, Deus nos é apresentado como Aquele que está acima de todo o nome (“Ele é o que é”) e, desde esta posição, tem misericórdia do povo de Israel e o liberta do Egito.  Também no Evangelho, o vinhateiro tem compaixão da “figueira que não dá frutos” e propõe dar-lhe uma nova oportunidade antes de cortá-la, para que, uma vez adubada, possa melhorar e dar bons frutos.

 

Como vicentinos, sabemos que tudo o que fazemos é baseado na misericórdia de Deus e que nós podemos ajudar o Pobre a libertar-se da escravidão da pobreza, se tivermos também misericórdia com Ele.  Quantas vezes pensamos em cortar a ajuda a uma família, porque ela não corresponde ao que nós esperamos dela!  Julgamos com os nossos critérios e não pondo-nos no lugar do Pobre, na profundidade de sua pobreza!  Não nos esqueçamos de que nós somos os representantes de Deus na casa do Pobre. Se queremos que Deus nos julgue com misericórdia, conhecendo a fundo nossas limitações, devemos também julgar os nossos assistidos com a mesma misericórdia divina, levando em conta as limitações deles.

 

Nosso caminho para a conversão e libertação deve ser trilhado através da conversão e libertação do Pobre que assistimos.  Caminhamos juntos e solidários na direção de Deus.  Nós apoiamos o Pobre para que se levante e ande. Mas também Ele (como filho preferido de Deus) nos levanta e nos faz voltar a caminhar, quando fraquejamos.