Ozanet

Ano C - Domingo de Páscoa – Ressurreição do Senhor

A partir de Domingo, 17 Abril 2022 até Sábado, 23 Abril 2022

Ano C - Domingo de Páscoa – Ressurreição do Senhor

Leituras: At 10,34.37-43; Col 3,1-4; Jo 20,1-9

 

“Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus”.

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias,

Pedro tomou a palavra e disse:

“Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,

a começar pela Galileia,

depois do batismo que João pregou:

Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré,

que passou fazendo o bem

e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio,

porque Deus estava com Ele.

Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez

no país dos judeus e em Jerusalém;

e eles mataram-No, suspendendo-O na cruz.

Deus ressuscitou-O ao terceiro dia

e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo,

mas às testemunhas de antemão designadas por Deus,

a nós que comemos e bebemos com Ele,

depois de ter ressuscitado dos mortos.

Jesus mandou-nos pregar ao povo

e testemunhar que Ele foi constituído por Deus

juiz dos vivos e dos mortos.

É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho:

quem acredita Nele

recebe pelo seu nome a remissão dos pecados”.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses

Irmãos:

Se ressuscitastes com Cristo,

aspirai às coisas do alto,

onde está Cristo, sentado à direita de Deus.

Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra.

Porque vós morrestes

e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar,

também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

No primeiro dia da semana,

Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro

e viu a pedra retirada do sepulcro.

Correu então e foi ter com Simão Pedro

e com o discípulo predileto de Jesus

e disse-lhes:

“Levaram o Senhor do sepulcro

e não sabemos onde O puseram”.

Pedro partiu com o outro discípulo

e foram ambos ao sepulcro.

Corriam os dois juntos,

mas o outro discípulo antecipou-se,

correndo mais depressa do que Pedro,

e chegou primeiro ao sepulcro.

Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.

Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.

Entrou no sepulcro

e viu as ligaduras no chão

e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,

não com as ligaduras, mas enrolado à parte.

Entrou também o outro discípulo

que chegara primeiro ao sepulcro:

viu e acreditou.

Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,

segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

 

Reflexão vicentina

A celebração da Pascoa nos oferece a reflexão sobre as quatro fases que nós passamos quando lidamos com a experiência da ressurreição: o vazio, o espanto, a transformação e a missão.

 

Os discípulos sentiram o vazio e a decepção com a morte de Jesus. Depois da morte de Jesus, os discípulos se sentiram sós, abandonados, decepcionados.  Não haviam compreendido as palavras de Jesus sobre a necessidade de Sua morte. 

 

Como vicentinos, muitas vezes nos sentimos sós, abandonados, decepcionados com o “fracasso” de nossos planos e ações para melhorar a vida dos Pobres e para trazer mais justiça ao mundo.  Ninguém nos compreende e, mais do que isso, muitos nos criticam, por “seguir o Mestre”.  O sentimento da morte é necessário para crer na ressurreição.  Se não existisse a morte, não haveria ressurreição!

 

No início, os discípulos não acreditaram completamente na ressurreição, tinham dúvidas.  O discípulo que chegou primeiro ao túmulo de Jesus ficou com medo.  Maria Madalena pensou que haviam “tirado o Senhor do túmulo e ela não sabia aonde O tinham posto”.  Pedro e o outro discípulo acreditaram mas não entenderam de início.

 

Como vicentinos, muitas vezes não acreditamos firmemente na presença de Cristo em tudo o que fazemos.  Parece que Ele nos abandona às vezes.  Mesmo com uma fé firme, às vezes não entendemos o que passa conosco ou com os Pobres.  Uma das grandes virtudes da morte e ressurreição de Cristo é exatamente o fato de nos sentirmos humanos.  Nossa natureza humana permite que tenhamos dúvida.

 

Acreditar na ressurreição nos transforma: passamos a nos deixar guiar pelo Espírito Santo.  Quando os apóstolos receberam (ou perceberam) a presença do Espírito Santo, passaram a entender e acreditar no mistério da morte e ressurreição do Mestre.

 

Como vicentinos, colocamos o Espírito Santo no centro de nossa vida e de nossa missão.  Amar os Pobres, muitos fazem.  A diferença de nossa vocação é que amamos a Deus no Pobre e, portanto, este amor sem limites e interesses permite a santificação conjunta dos Pobres conosco. 

 

A descoberta do Espírito Santo em nós faz-nos missionários e evangelizadores.  Pedro saiu a pregar sem medo, depois de reconhecer o Espírito Santo.  Aquele que tinha há pouco tempo negado três vezes que conhecia Jesus passou a guiar-se pela coragem de dizer “nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez”.  Que mudança!

 

Como vicentinos, sabemos que a visita ao assistido é a essência de nossa vocação, mas ela deve ser complementada pela pregação e a vivência da justiça.  Somos os porta-vozes do Evangelho do amor aos Pobres.  Somos a Sua voz, os seus testemunhos e os seus servidores.  Deus não nos decepcionou com a morte de Jesus; Ele nos presenteou com a Sua ressurreição e com a presença viva do Espírito Santo.  Não podemos decepcionar a Deus deixando de seguir como missionários, os passos no Evangelho da justiça.