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Ano C - Segundo Domingo (Oitava) de Páscoa – Domingo da Divina Misericórdia

A partir de Domingo, 24 Abril 2022 até Sábado, 30 Abril 2022

Ano C - Segundo Domingo (Oitava) de Páscoa – Domingo da Divina Misericórdia

Leituras: At 5,12-16; Ap 1,9-11a.12-13.17-19; Jo 20,19-31

 

“A paz esteja convosco.  Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”.

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Pelas mãos dos Apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo.

Unidos pelos mesmos sentimentos, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão;

nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo enaltecia-os.

Cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé, uma multidão de homens e mulheres,

de tal maneira que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e em catres,

para que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.

Das cidades vizinhas de Jerusalém, a multidão também acorria,

trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros e todos eram curados.

 

Leitura do Livro do Apocalipse

Eu, João, que também sou vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus,

estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.

No dia do Senhor fui movido pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte,

semelhante à da trombeta, que dizia: “Escreve num livro o que vês e envia-o às sete Igrejas”.

Voltei-me para ver quem era a voz que me falava; ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro

e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho do homem, vestido com uma longa túnica

e cingido no peito com um cinto de ouro.

Quando o vi, caí a seus pés como morto.

Mas ele pousou a mão direita sobre mim e disse-me:

“Não temas.  Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive.  Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos

e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos.

Escreve, pois, as coisas que viste, tanto as presentes como as que hão de acontecer depois destas”.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,

estando fechadas as portas da casa

onde os discípulos se encontravam,

com medo dos judeus,

veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:

“A paz esteja convosco”.

Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.

Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.

Jesus disse-lhes de novo:

“A paz esteja convosco.

Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”.

Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:

“Recebei o Espírito Santo:

àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados;

e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”.

Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,

não estava com eles quando veio Jesus.

Disseram-lhe os outros discípulos:

“Vimos o Senhor”.

Mas ele respondeu-lhes:

“Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,

se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,

não acreditarei”.

Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa

e Tomé com eles.

Veio Jesus, estando as portas fechadas,

apresentou-Se no meio deles e disse:

“A paz esteja convosco”.

Depois disse a Tomé:

“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;

aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;

e não sejas incrédulo, mas crente”.

Tomé respondeu-Lhe:

“Meu Senhor e meu Deus!”

Disse-lhe Jesus:

“Porque Me viste acreditaste:

felizes os que acreditam sem terem visto”.

Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,

que não estão escritos neste livro.

Estes, porém, foram escritos

para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,

e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Reflexão vicentina

As leituras deste Segundo Domingo da Páscoa nos contam como se formou a comunidade da Igreja de Cristo, os seus primeiros tempos.  Ela foi construída fundamentalmente pela presença do Espírito Santo, no ambiente da conversão, e pelo poder que os discípulos passaram a ter de fazer milagres em nome de Jesus.

 

A comunidade eclesial (da Igreja) foi formada em torno ao Espírito Santo.  O sopro do Espírito Santo, dado por Jesus foi o que converteu e transformou os apóstolos de forma individual.  Mas também foi o que criou o sentido de comunidade missionária de fé.  Pelo Espírito Santo, os apóstolos passaram a entender o mistério da vida, morte e ressurreição de Cristo.  A partir deste sopro de vida e deste fogo de sabedoria, os apóstolos deixaram de ter medo de pregar: “não temas; Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive”.

 

Como vicentinos, formamos uma comunidade também centrada no Espírito Santo.  Desde a primeira Conferência Vicentina, colocamos a nossa conversão pessoal e o nosso crescimento como comunidades missionárias de fé nas mãos do Espírito Santo.  Ele nos empurra ao serviço dos Pobres e à evangelização da justiça, sem medo das consequências.

 

A Igreja foi formada pela conversão dos que viram a Cristo, mas mais importante, pelos que não viram.  Tomé não tinha estado com Jesus na primeira vez que Ele entrou na “casa onde os discípulos se encontravam”.  Não tinha visto como Jesus pode entrar em um lugar cujas portas estavam trancadas.  Jesus chega para destrancar os corações dos apóstolos.  Tomé abre o coração e se converte: “meu Senhor e meu Deus!”, ele disse.  Diante da conversão de Tomé, Jesus dá a nós a mensagem direta: “porque Me viste acreditaste; felizes os que acreditam sem terem visto”.

 

Como vicentinos, às vezes somos como Tomé, mas nos convertemos por “ver e sentir o Cristo no Pobre”.  A entrada na casa do Pobre “destranca nossos corações”, transforma-nos, converte-nos.  Já não precisamos ter medo, porque o próprio Cristo, na pessoa do Pobre, abre nossa mente e nosso espírito para servi-Lo em Sua casa.

 

A primeira comunidade eclesial fazia milagres, transformando a vida das pessoas.  Depois da vinda do Espírito Santo, os apóstolos, simples pescadores, sem estudo, sem poder, sem status social, passam a ser capazes de dar vida!  E esta vida é dada de duas formas: pela cura e pela palavra.

 

Como vicentinos, fazemos pequenos milagres na vida dos Pobres.  Às vezes não nos damos conta dos pequenos (ou grandes) milagres que fazemos a cada um de nossos assistidos, dando-lhes vida.  E estes milagres vêm também de duas formas: através do pão e através da presença.  O pão, a saúde, a educação e a moradia causam transformações milagrosas na vida dos nossos assistidos, como pessoas e como famílias.  Mas é a nossa presença e a nossa palavra que realmente transformam, dando ao Pobre a autoestima de que necessita para levantar e seguir em frente, confiante em Si, pela ação do Espírito Santo.