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Ano C - Terceiro Domingo de Páscoa

A partir de Domingo, 1 Maio 2022 até Sábado, 7 Maio 2022

Ano C - Terceiro Domingo de Páscoa

Leituras: Atos 5,27b-32.40b-41; Ap 5,11-14; Jo 21

 

“Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis”.

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, o sumo sacerdote falou aos Apóstolos, dizendo:

“Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina

e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem”.

Pedro e os Apóstolos responderam: “Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens.

O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro.

Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel

o arrependimento e o perdão dos pecados.

E nós somos testemunhas destes fatos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem”.

Então os judeus mandaram açoitar os Apóstolos, intimando-os a não falarem no nome de Jesus,

e depois soltaram-nos.

Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados

por causa do nome de Jesus.

 

Leitura do Livro do Apocalipse

Eu, João, na visão que tive, ouvi a voz de muitos Anjos, que estavam em volta do trono, dos Seres Vivos e dos Anciãos.

Eram miríades de miríades e milhares de milhares, que diziam em voz alta:

“Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”.

E ouvi todas as criaturas que há no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e o universo inteiro, exclamarem:

“Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro o louvor e a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos”.

Os quatro Seres Vivos diziam: “Amem!”; e os Anciãos prostraram-se em adoração.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades.

Manifestou-Se deste modo:

Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia,

os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus.

Disse-lhes Simão Pedro: “Vou pescar”.  Eles responderam-lhe: “Nós vamos contigo”.

Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.

Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele.

Disse-lhes Jesus: “Rapazes, tendes alguma coisa de comer?”

Eles responderam: “Não”.

Disse-lhes Jesus: “Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis”.

Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes.

O discípulo predileto de Jesus disse a Pedro: “É o Senhor”.

Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar.

Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem,

vieram no barco, puxando a rede com os peixes.

Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão.

Disse-lhes Jesus: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora”.

Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes;

e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede.

Disse-lhes Jesus: “Vinde comer”.

Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: “Quem és Tu?”, porque bem sabiam que era o Senhor.

Jesus aproximou-Se, tomou o pão e o deu aos discípulos, fazendo o mesmo com os peixes.

Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu Me amas mais do que estes?”

Ele respondeu-Lhe: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”.

Voltou a perguntar-lhe segunda vez: “Simão, filho de João, tu Me amas?”

Ele respondeu-Lhe: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas”.

Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, tu Me amas?”

Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe:

“Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo”.  Disse-lhe Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas.

Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias;

mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres”.

Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus.

Dito isto, acrescentou: “Segue-Me”.

 

 

Reflexão vicentina

Neste terceiro domingo da Pascoa, as leituras muito ricas em conteúdo nos dão três mensagens vicentinas.  Primeiramente, Jesus nos aparece quando menos esperamos para nos fazer repensar radicalmente a maneira como estamos vivendo.  Segundo, Jesus nos dá a oportunidade de escolha do Seu amor.  Terceiro, a opção pelo amor de Deus deve ser feita até as últimas consequências e deve ser motivo de alegria.

 

Jesus vem de forma inesperada sempre nos pedindo uma conversão criativa e radical.  Depois da morte e ressurreição, Jesus já não aparece como era o seu corpo enquanto vivo.  Ele havia passado pela porta trancada da sala onde estavam os discípulos e no Evangelho do domingo, aparece irreconhecível no início.  Ele surge no meio do trabalho dos apóstolos (enquanto pescavam) para “multiplicar os peixes” através de uma mudança radical na forma como pescavam.  Ele pede que pusessem a rede do outro lado do barco, um pedido um pouco estranho e não compreendido pelos bons pescadores que eram os apóstolos.

 

São Vicente costumava dizer que “a caridade é inventiva ao infinito”: ele também nos pedia que buscássemos soluções criativas, inovadoras, diferentes, exatamente como pediu Jesus aos discípulos.  São Vicente pede aos vicentinos que não se contentem com as obras triviais, mas que sempre busquem algo que não pode ser visto imediatamente, como Jesus não pode ser visto imediatamente pelos apóstolos.  Tanto o serviço ao Pobre quanto o nosso trabalho do dia-a-dia, ou a vida familiar devem ser vistos sob esta perspectiva: sempre há uma forma mais inteligente de fazer algo e que não pode ser vista imediatamente.

 

Jesus é sempre insistente, mas nos dá a oportunidade da escolha por segui-Lo.  Ele perguntou a Pedro três vezes se ele O amava (lembremos de que Pedro havia sido perguntado três vezes se conhecia Jesus na noite da flagelação e ele havia negado!).  Jesus quer que reflitamos sobre o que estamos fazendo: não vale ser discípulo por inercia ou porque todos os outros são.  Ele quer de nós uma opção consciente por Seu amor.

 

Como vicentinos, às vezes nos entregamos ao comodismo do costume.  Visitamos porque estamos acostumados.  Vamos à reunião da Conferência porque “está na agenda”.  É necessário que saibamos que cada visita, cada reunião de Conferência, cada oportunidade de serviço ao Pobre é uma nova ressurreição, uma nova oportunidade de reconhecer Jesus no outro.

 

Seguir o amor de Deus é uma opção radical de sacrifício e de alegria.  Os apóstolos ficaram muito felizes na primeira leitura porque foram açoitados pelos judeus: “saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus”. 

 

De fato, como vicentinos, sabemos que servir Jesus é uma opção de sacrifício e de risco.  Arriscamos a opinião que os outros têm de nós mesmos e, acima de tudo, de sermos mal compreendidos.  É muito mais fácil “seguir a manada” do que fazer a opção radical e constante pela justiça e pelo amor.  Só quem faz esta opção sempre e incondicionalmente sabe o que isto significa.  É espetacular ser mal entendido e injustiçado pela opção da vida em Cristo: ela nos faz livres e íntimos do Senhor.