Ozanet

Ano C - Quinto Domingo de Pascoa

A partir de Domingo, 15 Maio 2022 até Sábado, 21 Maio 2022

Ano C - Quinto Domingo de Pascoa

Leituras: Atos 14,21b-27; Ap 21,1-5ª; Jo 13,31-33a.34-35

 

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias,

Paulo e Barnabé voltaram a Listra, a Icónio e a Antioquia. Iam fortalecendo as almas dos discípulos

e exortavam-nos a permanecerem firmes na fé,

“porque – diziam eles – temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no reino de Deus”.

Estabeleceram anciãos em cada Igreja,

depois de terem feito orações acompanhadas de jejum,

e encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado. Atravessaram então a Pisídia e chegaram à Panfília;

depois, anunciaram a palavra em Perga e desceram até Atalia.

De lá embarcaram para Antioquia,

de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar.

À chegada, convocaram a Igreja,

contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.

 

Leitura do Apocalipse de São João

Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra,

porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia.

Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém,

que descia do Céu, da presença de Deus,

bela como noiva adornada para o seu esposo. Do trono ouvi uma voz forte que dizia:

“Eis a morada de Deus com os homens.

Deus habitará com os homens:

eles serão o seu povo

e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos;

nunca mais haverá morte nem luto, nem gemidos nem dor, porque o mundo antigo desapareceu”.

Disse então Aquele que estava sentado no trono:

“Vou renovar todas as coisas”.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Quando Judas saiu do cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos:

“Agora foi glorificado o Filho do homem

e Deus glorificado n’Ele.

Se Deus foi glorificado n’Ele,

Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-Lo-á sem demora.

Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo:

que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei,

amai-vos também uns aos outros.

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos:

se vos amardes uns aos outros”.

 

Reflexão vicentina

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”

 

Este é o tema principal das leituras deste domingo.  O amor nos faz ser distintos das outras pessoas, simplesmente porque nos faz mais semelhantes a Cristo.  Ele disse: “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”.  Às vezes, não nos damos conta da transformação que fazemos em nossa volta, simplesmente por amar... amar tanto que chega a parecer com a forma como o Cristo nos ama.

 

O amor nos une como comunidade de fé.  Jesus deixou este mandamento, como testamento, dizendo: “meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco; dou-vos um mandamento novo; que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”.  Na realidade, este foi o único mandamento que Jesus deixou para os seus, para que formassem uma comunidade de amor, com a fé de que Ele é o Filho de Deus.  Assim fizeram os apóstolos depois da ressurreição de Jesus: todos repartiam o que tinham material e espiritualmente.  O “repartir” é a expressão mais sublime do que é o amor, mas a fé transforma o “repartir” na relação íntima com Deus.

 

O amor nos faz criar uma comunidade diferente do mundo: estamos no mundo, mas não somos do mundo.  A comunidade de fé dava claros sinais de que tinha que viver no mundo, trabalhando, evangelizando, casando-se, rezando e vivendo uma vida comum.  Mas o que diferenciava os primeiros cristãos é que não eram como os outros que só queriam a salvação material e um rei que viesse a retirar-lhes da pobreza.  Os primeiros cristãos viviam exclusivamente para o encontro com o Cristo, no fim dos tempos.  Por isso, a morte era uma espécie de passaporte para a vida eterna: eles não consideravam que a morte era o fim.

 

Como vicentinos, fomos ensinados por São Vicente a viver também assim, muitos séculos depois.  São Vicente valorizava a virtude da mortificação, que era o desapego das coisas, não deixando que a emoção seja maior do que a razão.  A emoção nos faz apegar às coisas e aos acontecimentos como se fossem o que temos de mais importante.  A razão, baseada na fé, nos faz dar a verdadeira dimensão (ou valor) às coisas e aos acontecimentos atuais.

 

Será que estamos dispostos, como vicentinos, a viver voluntariamente de forma diferente do mundo, desapegados das coisas?  Os Pobres são desapegados das coisas não por opção, mas por destino.  Viver no amor é viver como os Pobres, sem precisar fazê-lo.  Este é o verdadeiro sentido da mortificação vicentina.