Ozanet

Ano C - Sexto Domingo de Pascoa

A partir de Domingo, 22 Maio 2022 até Sábado, 28 Maio 2022

Ano C - Sexto Domingo de Pascoa

Leituras: Atos 15,1-2.22-29; Ap 21,10-14.22-23; Jo 14,23-29

 

“Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.”

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias,

alguns homens que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos de Antioquia:

“Se não receberdes a circuncisão, segundo a Lei de Moisés,

não podereis salvar-vos”.

Isto provocou muita agitação e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles.

Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém

para tratarem dessa questão com os Apóstolos e os anciãos. Os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja, decidiram escolher alguns irmãos

e mandá-los a Antioquia com Barnabé e Paulo. Eram Judas, a quem chamavam Barsabás,

e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. Mandaram por eles esta carta:

“Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã

residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia.

Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar,

perturbando as vossas almas com as suas palavras, resolvemos, de comum acordo,

escolher delegados para enviarmos a vós

juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, homens que expuseram a sua vida

pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso vos mandamos Judas e Silas,

que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões.

O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são indispensáveis:  abster-se da carne imolada aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isso. Adeus”.

 

Leitura do Apocalipse de São João

Um Anjo transportou-me em espírito ao cimo de uma alta montanha

e mostrou-me a cidade santa de Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, resplandecente da glória de Deus.

O seu esplendor era como o de uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe cristalino.

Tinha uma grande e alta muralha,

com doze portas e, junto delas, doze Anjos;

tinha também nomes gravados,

os nomes das doze tribos dos filhos de Israel: três portas a nascente, três portas ao norte, três portas ao sul e três portas a poente.

A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes e neles doze nomes: os doze Apóstolos do Cordeiro.

Na cidade não vi nenhum templo,

porque o seu templo é o Senhor Deus omnipotente e o Cordeiro. A cidade não precisa da luz do sol nem da lua,

porque a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo,

disse Jesus aos seus discípulos:

“Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará;

Nós viremos a ele

e faremos nele a nossa morada.

Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha,

mas do Pai que Me enviou.

Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo,

que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas

e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo.

Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes o que Eu vos disse:

Vou partir, mas voltarei para junto de vós.

Se Me amásseis,

ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu.

Disse-vos isto agora, antes de acontecer,

para que, quando acontecer, acrediteis”.

 

Reflexão vicentina

Neste domingo, as leituras preparam a solenidade do próximo domingo: a Ascensão do Senhor.  Jesus começa já a preparar os discípulos para a sua partida “definitiva” até que Ele volte no fim dos tempos.  Já prevendo que os discípulos ficariam um pouco “perdidos” novamente com a Sua partida (a primeira vez foi na Sua morte), Jesus dá duas recomendações tranquilizadoras.  Primeiro: Ele estaria com eles (e conosco) até o fim dos tempos.  E, segundo, o Espírito Santo viria para esclarecer o que ficasse pouco claro e para capacitar os discípulos para a missão.

 

Ele então diz: “não se perturbe nem se intimide o vosso coração.  Ouvistes o que Eu vos disse:  vou partir, mas voltarei para junto de vós”.  E acrescenta: “o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse”. 

 

A primeira “tranquilização” apresenta Jesus como Aquele que partiu, mas que continua acompanhando no caminho até a Sua volta.  Jesus está sempre conosco, mesmo que não nos demos conta.  E podemos chamá-Lo para que fique mais perto de nós através de nossa oração constante e nossas obras de caridade.

 

Como vicentinos, sabemos que a oração é um momento de união espiritual, mas real, com Deus.  Na oração, não só nos comunicamos com Jesus, como também dizemos a Ele que queremos ficar junto Dele, assumindo nossa natureza humana (cheia de fragilidades), mas também divina (com a fé de que Ele nos fortalece).  Sabemos também que a expressão mais bela desta frase de Jesus (“voltarei para junto de vós”) é a visita ao assistido.  Quando visitamos o Pobre, efetivamente, Jesus vem ao nosso encontro, porque Ele está em todas as pessoas, mas com presença mais forte nos mais necessitados.  Não é necessário esperar pelo último dia para perceber a presença de Deus: nós a temos no escondido de nosso quarto (ou do Sacrário) ou na pequena casa do assistido.

 

A segunda “tranquilização” vem do fato de que o Espírito Santo nos guiará sempre, mesmo que mudem os tempos e os costumes.  Já no começo da vida dos cristãos, houve muita dúvida sobre a crença nos costumes do passado.  Muitas pessoas das primeiras comunidades da Igreja acreditavam que, para que os pagãos (que não eram judeus) se convertessem ao cristianismo, era necessário se circuncidar.  Em outras palavras, era necessário primeiro ser judeu para depois ser cristão.  Paulo vem com uma perspectiva muito diferente: o que importa não são os sinais externos, mas o que temos no nosso coração.  Portanto, a conversão vem de dentro de nós e não de fora. 

 

Como vicentinos, às vezes nos apegamos muito às regras, aos costumes e nos esquecemos de que o que importa é o que está dentro do coração do assistido e não o que está fora.  Ou, o que importa é a intenção do nosso irmão vicentino e não tanto o que falam dele ou os seus resultados.  É necessário deixar que o Paráclito, ou seja, o “consolador” (do latim consolator; ou do grego parakletos) nos guie para que não sejamos muito radicais no julgamento dos Pobres ou dos nossos confrades e consocias.  Se nos deixarmos guiar pelo Espírito, certamente, buscaremos o que há de bom tanto no coração do outro, quando em nós mesmos.  Julgar pelo Espírito é construir uma nova relação de santos: nós – que julgamos – e o outro – que é julgado).