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Ano C - Ascensão do Senhor (Sétimo Domingo de Páscoa)

A partir de Domingo, 29 Maio 2022 até Sábado, 4 Junho 2022

Ano C - Ascensão do Senhor (Sétimo Domingo de Páscoa)

Leituras: At 1, 1-11; Ef 1,17-23; Lc 24,46-53

 

“Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu”.

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

No meu primeiro livro, ó Teófilo,

narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu,

depois de ter dado, pelo Espírito Santo,

as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão,

Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus.

Um dia em que estava com eles à mesa,

mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai,

“da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar.

Na verdade, João batizou com água;

vós, porém, sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias”.

Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar:

“Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ele respondeu-lhes:

“Não vos compete saber os tempos ou os momentos

que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós,

e sereis minhas testemunhas

em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra”.

Dito isto, elevou-Se à vista deles

e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.

E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se a eles dois homens vestidos de branco,

que disseram:

“Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu”.

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios

Irmãos:

O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz

para O conhecerdes plenamente

e ilumine os olhos do vosso coração,

para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos

e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes.

Assim o mostra a eficácia da poderosa força

que exerceu em Cristo,

que Ele ressuscitou dos mortos

e colocou à sua direita nos Céus,

acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado,

não só neste mundo,

mas também no mundo que há de vir. Tudo submeteu aos seus pés

e pô-Lo acima de todas as coisas

como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,

disse Jesus aos seus discípulos:

“Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia

e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados

a todas as nações, começando por Jerusalém.

Vós sois testemunhas disso.

Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade,

até que sejais revestidos com a força do alto”.

Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os.

Enquanto os abençoava,

afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus,

e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria.

E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

 

Reflexão vicentina

A celebração da Ascensão do Senhor deste domingo nos põe diante de um divisor de águas da história da salvação.  Para os vicentinos, é importante reconhecer a Ascensão no contexto da história da salvação, para que possamos dar sentido à nossa missão do hoje, na esperança da parusia (da vinda definitiva de Jesus).

 

De forma muito simplificada, podemos dizer que antes da Ascensão ocorreu a criação do mundo, o nascimento e vida de Jesus, a Sua Morte e a Ressurreição.  Toda a história do mundo fez sentido com a vinda de Jesus, com o seu sofrimento pelos nossos pecados e, sobretudo, com a Sua Ressurreição.  Parece que se fechou um ciclo da humanidade.  Jesus havia salvado a todos com o Seu sangue, mas sobretudo, com a Sua Ressurreição.  Como São Paulo nos diz: “se Jesus não ressuscitou, vã é a nossa fé” (I Cor 15, 14), ou seja, sem a Ressurreição, nossa fé seria sem sentido.

 

No momento da Ascensão, Jesus indica claramente que o último dia (a parusia, o reencontro com Ele) ocorrerá efetivamente e que o Espírito Santo ficaria em cada um de nós para nos preparar o caminho.  Na Ascensão, Jesus novamente se despede dos seus discípulos, mas ela representa um momento muito parecido e ao mesmo tempo, muito diferente da Sua Morte.   Os dois momentos, o da Morte e da Ascensão, têm algo em comum: os dois significaram um período necessário de conversão, de reflexão e de espera.   Mas os dois momentos são também muito distintos.  Na Morte de Jesus, os discípulos ficaram meio “perdidos” porque não entenderam que não se tratava de um final: a Morte seria “substituída” pela Ressurreição.  Na Ascensão, Jesus deixou para os discípulos o Espírito Santo e eles puderam entender que o Seu afastamento era efetivamente um recomeço, uma nova vida de esperança no reencontro com Ele.    

 

Neste contexto, Jesus dá aos discípulos a missão de fazer com que todos conheçam e creiam na História da Salvação, com a esperança do reencontro final.  “Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra” .  A Ascensão representa assim, um novo período da história da salvação em que todos são convidados a levar a boa-nova a todo o mundo.  E esta missão é guiada pelo Espírito Santo.

 

Como vicentinos, sabemos que esta é a missão que abraçamos e que Deus nos deu como presente.  A visita ao assistido e a busca da santificação têm que ser feitas através do sentido da evangelização, tanto dos Pobres, quando de todos, inclusive de nós mesmos.  Na Ascensão, Jesus diz, em especial aos vicentinos que guiem seus caminhos missionários pelo Espírito Santo que Ele deixou no meio e dentro de nós.  Por isso, dizemos que devemos “servir na esperança”: servir aos Pobres, para que ambos – os Pobres e nós – tenhamos a esperança da chegada da parusia.