Ozanet

Ano C - Domingo de Pentecostes – Decimo Domingo Tempo Comum

A partir de Domingo, 5 Junho 2022 até Sábado, 11 Junho 2022

Ano C - Domingo de Pentecostes – Decimo Domingo Tempo Comum

Leituras: At 2,1-11; 1 Cor 12,3b-7.12-13; Jo 20,19-23

 

“A paz esteja convosco.  (...) Recebei o Espírito Santo.”

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: “Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frigia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus”.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos: Ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor”, a não ser pela ação do Espírito Santo. De fato, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós - judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos foi dado a beber um único Espírito.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”. Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”.

 

 

Reflexão vicentina

Neste domingo, celebramos a Festa de Pentecostes, ou seja, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, reunidos com Maria.  No domingo passado, como vimos, a Ascensão de Jesus iniciou uma nova fase na vida do mundo.  Os discípulos tiveram que se despedir do Mestre até que venha o último dia (o fim do mundo) e assumir a Sua missão de evangelização, fortalecidos e capacitados pelo Espírito Santo.

 

Em Pentecostes, essa nova vida se concretiza pelo sopro de Jesus que faz descer o Espírito Santo sobre os apóstolos.  A partir daquele momento, eles não somente poderiam ter a capacidade de falar em línguas e de evangelizar, como também poderiam perdoar pecados e realizar os sacramentos.  Dentre estes sacramentos deixados por Jesus e concretizados pela Igreja está exatamente a Confirmação (ou Crisma), momento em que cada um de nós confirma que quer reconhecer o Espírito Santo como guia, o Espírito que está dentro de nós, nos orienta e fortalece para seguir a missão.

 

A Igreja nos apresenta os sete dons fundamentais do Espírito Santo: fortaleza, sabedoria, ciência, conselho, entendimento, piedade e temor de Deus.  Para cada um destes dons, poderíamos escrever um livro, mas aqui gostaria de apresentar muito rapidamente o significado de cada um para nós, vicentinos.  É este significado que nos faz rezar constantemente ao Espírito Santo, para que aumente em nós os Seus dons.

 

O dom da fortaleza nos dá a coragem para enfrentar as perseguições e tentações do mal, além de permanecer firmes na fé.  Como vicentinos, percebemos a fortaleza do Espírito Santo, quando vencemos a nossa dúvida sobre a mística de nossa vocação de serviço ao Pobre, de santificação e de semeadores de justiça.

 

O dom da sabedoria nos faz reconhecer que toda a sabedoria vem de Deus.  Como vicentinos, percebemos a sabedoria do Espírito Santo quando não nos sentimos capazes de servir os Pobres e, mesmo assim, seguimos confiantes de que Ele nos guia pelo caminho correto.

 

O dom da ciência nos faz aperfeiçoar e utilizar a inteligência (maior ou menor que Deus nos deu).  Como vicentinos, a ciência nos faz criativos para descobrir formas novas e inovadoras de servir os Pobres e exercitar a justiça.

 

O dom do conselho nos permite o reto discernimento e santas atitudes em determinadas circunstâncias.  Como vicentinos, percebemos o conselho do Espírito Santo quando temos que tomar decisões difíceis e colocamos em Suas mãos as nossas dúvidas.

 

O dom do entendimento torna nossa inteligência capaz de entender intuitivamente as verdades reveladas e naturais.  Como vicentinos, percebemos o entendimento do Espírito Santo, quando entendemos as graças e os milagres que Deus faz em nossa vida ou na vida dos Pobres que servimos.

 

O dom da piedade nos faz rezar e praticar o bem a todos.  Como vicentinos, exercitamos a piedade do Espírito Santo sempre, porque vemos no outro (em particular, no Pobre), a presença viva de Cristo e saímos a servi-Lo. 

 

O dom do temor a Deus nos faz praticar os seus mandamentos com sinceridade de coração.  Como vicentinos, sentimos o temor a Deus, quando nos colocamos de forma sincera a serviço dos Pobres e quando buscamos genuinamente a nossa santidade.

 

Interessante que o mundo nos afasta tanto destes dons que, quando vemos uma pessoa genuinamente cheia do Espírito Santo, começamos a desconfiar dela (como se deixar-se guiar pelo Espírito fosse uma coisa estranha).  Como vicentinos, temos que não só exercitar os dons do Espírito Santo (que estão dentro de nós), como também tentar buscá-los sempre nos outros: não há ninguém que não possa manifestar estes dons!