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Ano C - Celebração da Santíssima Trindade – Décimo Primeiro Domingo do Tempo Comum

A partir de Domingo, 12 Junho 2022 até Sábado, 18 Junho 2022

Ano C - Celebração da Santíssima Trindade – Décimo Primeiro Domingo do Tempo Comum

Leituras: Prov 8, 22-31; Rom 5, 1-5; Jo 16, 12-15

 

“Gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, a constância produz a virtude sólida, e a virtude sólida produz a esperança.”

 

Leitura do Livro dos Provérbios

Eis o que diz a Sabedoria de Deus:

”O Senhor me criou como primícias da sua atividade, antes das suas obras mais antigas.

Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra.

Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida.

Antes de se implantarem as montanhas e as colinas, já eu tinha nascido; 26ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo.

Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte,

quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos,

quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo,

quando lançava os fundamentos da terra,

eu estava a seu lado como arquiteto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença.

Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens”.

 

Leitura de São Paulo aos Romanos

Irmãos:

Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo,

pelo qual temos acesso, na fé,

a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 

Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações,

porque sabemos que a tribulação produz a constância, a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança.

Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

“Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora.  

Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo,

mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir.  

Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.  

Tudo o que o Pai tem é meu.

Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará”.

 

 

 

 

Reflexão vicentina

Com a festa de Pentecostes, encerramos o Tempo Pascal e, neste domingo, celebramos a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).  Por muitos anos, houve discussões na Igreja primitiva sobre a natureza da Santíssima Trindade.  Mais do que voltar a discutir a natureza dogmática, as leituras deste domingo são uma oportunidade para mergulhar no mistério da Trindade Santa, fonte, modelo e meta do peregrinar da humanidade: contemplamos o mistério de amor do nosso Deus que se revela como Pai, Filho e Espírito Santo.  Em particular, no Evangelho de São João deste domingo, encontramos um pequeno trecho do chamado “discurso do adeus” , fundamental para a revelação do mistério da Santíssima Trindade.

 

Nesta ocasião, renovamos a Aliança com o Pai que nos criou e nos libertou, entregando-nos o dom da vida plena em Jesus Cristo, seu Filho amado, o Verbo encarnado que, por sua vez, nos confiou com sua morte e ressurreição o dom do seu Espírito.  Como dizia Santo Agostinho, a Santíssima Trindade é a comunhão de luz e de amor, vida doada e recebida num eterno diálogo entre o Pai e o Filho, no Espírito Santo Amante, Amado e Amor.

 

Como vicentinos, somos chamados a colocar nossa missão e nossa vida nas mãos da Santíssima Trindade.  A fé no Pai, o criador de todas as coisas e de todos os seres, é a essência da virtude vicentina da humildade.  Sabemos que tudo o que somos, temos ou fazemos vem do Pai, de Sua bondade.  Esta virtude nos faz ter a dimensão de que a nossa vida só faz sentido se realizamos a missão que nos foi confiada.  Mas também a humildade nos faz ter a consciência de que podemos tudo, desde que “sejamos livres na prisão do Evangelho do amor”, como nos indica São Paulo.

 

Como vicentinos, também devemos ter a esperança no Filho, Aquele que foi enviado pelo Pai para nos dar sentido à vida, para nos perdoar definitivamente de nossos pecados e mostrar o caminho para o reencontro com Ele no Pai.  Esta esperança nos move a realizar a nossa missão!

 

Como vicentinos, final e fundamentalmente, buscamos nossa fonte de amor e caridade no Espírito Santo que está dentro de nós e que nos foi dado pelo Pai e pelo Filho.  O Espírito de Amor nos faz ver o Pobre como o filho predileto de Deus e, por isso, poder ver a nós como o filho escolhido que serve a Este predileto.  O Espírito Santo nos faz unir em uma só pessoa divina, a nossa pessoa humana, com a pessoa humana do Pobre.  Esta é uma experiência mística muito profunda que somente pode ser compreendida, se acreditamos fielmente na Aliança da Santíssima Trindade.