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Ano C - Solenidade de Corpus Christi (Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo)

A partir de Domingo, 19 Junho 2022 até Sábado, 25 Junho 2022

Ano C - Solenidade de Corpus Christi (Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo[AEM1] )

Leituras: Gn 14, 18-20; 1 Cor 11, 23-26; Lc 9, 11b-17

 

“Dai-lhes vós de comer”.

 

Leitura do Livro do Êxodo

Naqueles dias, Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis.
O povo inteiro respondeu numa só voz: “Faremos tudo o que o Senhor ordenou”.
Moisés escreveu todas as palavras do Senhor.
No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel.
Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos,
como sacrifícios pacíficos ao Senhor.
Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar.
Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu:
“Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos”.
Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo:
“Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras”.

 

Leitura da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios

  •  

Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti:

o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue,

tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse:

“Isto é o meu Corpo, entregue por vós.

Fazei isto em memória de Mim”.

Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse:

“Este cálice á a nova aliança no meu Sangue.

Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim”.

Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão

e beberdes deste cálice,

anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha”.

 

Proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,

estava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus

e a curar aqueles que necessitavam.

O dia começava a declinar.

Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe:

“Manda embora a multidão

para ir procurar pousada e alimento

às aldeias e casais mais próximos,

pois aqui estamos num local deserto”.

Disse-lhes Jesus:

“Dai-lhes vós de comer”.

Mas eles responderam:

“Não temos senão cinco pães e dois peixes…

Só se formos nós mesmos

comprar comida para todo este povo”.

Eram de facto uns cinco mil homens.

Disse Jesus aos discípulos:

“Mandai-os sentar por grupos de cinquenta”.

Assim fizeram e todos se sentaram.

Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes,

ergueu os olhos ao Céu

e pronunciou sobre eles a bênção.

Depois partiu-os e deu-os aos discípulos,

para eles os distribuírem pela multidão.

Todos comeram e ficaram saciados;

e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.

 

 

 

Reflexão vicentina

Celebramos neste domingo a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi).  A Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo foi instituída em meados do século XIII, numa época em que se comungava muito pouco e onde se levantavam dúvidas sobre a “presença real” de Jesus na hóstia consagrada depois da celebração da Eucaristia.  Portanto, se tinha a dúvida se a adoração ao Santíssimo Sacramento era efetivamente válida; pensava-se que terminada a consagração (a missa), o pão guardado no sacrário já não era o corpo e o sangue de Cristo.

Na realidade, a fé da Igreja na presença do seu Senhor ressuscitado no mistério da Eucaristia remonta à origem da comunidade cristã. São Paulo transmite aos Hebreus, neste dia de Corpus Christi, o que recebeu da tradição, cerca de 25 anos depois da morte de Jesus. É a narração mais antiga da Eucaristia. A Igreja nunca abandonou esta centralidade. Também o Evangelho de Marcos nos dá hoje um relato semelhante da instituição da Eucaristia.

Em primeiro lugar, é necessário que nós vicentinos reflitamos sobre a nossa real fé na transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, durante a missa.  Tomamos consciência desta realidade cada vez que recebemos o Cristo na comunhão, ou ela é um ato mecânico?  Cada vez que comungamos, deveríamos dizer a Jesus: “eu creio que estás presente nesta hóstia que agora recebo no meu corpo, para santificar a minha alma!”.  A certeza da presença de Jesus na hóstia consagrada na missa nos dá força para ir ao encontro do Pobre.  Não vamos sós, mas levamos fisicamente o Cristo em nós: vamos eu e o Mestre Maior, juntos, visitar e aprender do nosso Senhor e Mestre.  Nosso corpo se torna fisicamente o templo de Deus, indo ao sacrário do amor que é a casa do Pobre.

Em segundo lugar, também é necessário que nós vicentinos confiemos na presença de Cristo no sacrário, no Santíssimo Sacramento do altar, e vamos visitá-Lo.  Apesar de conhecermos São Vicente pelo seu lado de ação, de encontro com o Pobre, é necessário lembrar que ele passava muitas horas em oração diante do sacrário, escutando o que Deus queria dele.  Frederico Ozanam fazia o mesmo na Capela do Carmo, em cuja cripta seu corpo foi enterrado.

Como disse o Papa Bento XVI, “comunhão e contemplação não se podem separar, pois caminham juntas. Para me comunicar verdadeiramente com outra pessoa devo conhecê-la, saber estar em silêncio ao seu lado, ouvi-la e fitá-la com amor. O amor autêntico e a amizade verdadeira vivem sempre desta reciprocidade de olhares, de silêncios intensos, eloquentes e repletos de respeito e de veneração, de tal maneira que o encontro seja vivido profundamente, de modo pessoal e não superficial”.[1]

O Corpo e Sangue de Cristo são parte integrante de nossa santificação como vicentinos.  Completando as palavras do Papa Bento XVI, podemos dizer que a comunhão, a contemplação e a visita não se podem separar, porque caminham juntas.

 

[1] Homilia de Bento XVI para a Solenidade do Corpo de Deus em 2012


 [AEM1]Favor verificar porque en el PDF, el subtitulo “(Santíssimo Corpo…)” debería estar abajo del titulo “Solenidade de Corpus…”